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7.10.07

Últimas Notícias de uma História Só

Foto: divulgação, blog de Otavio Martins
"También hay sorteos impersonales, de propósito indefinido: uno decreta que se arroje a las aguas del Éufrates un zafiro de Taprobana; otro, que desde el techo de una torre se suelte un pájaro; otro, que cada siglo se retire (o se añada) un grano de arena de los innumerables que hay en la playa. Las consecuencias son, a veces, terribles."
-- Jorge Luis Borges, La Loteria en Babilonia (Ficciones)

Últimas Notícias de uma História Só é a história de um seqüestro. Não, isto seria uma simplificação, pois o seqüestro poderia nunca ter ocorrido. Se eu não tivesse assustado o pombo enquanto caminhava pela calçada naquela noite, ele não teria ido para a rua, o motorista não teria tentado desviar, e o motoqueiro não teria sido derrubado. Um engarrafamento monstro teria sido evitado em plena noite de sexta-feira. Foi lamentável, pois o engarrafamento prejudicou Victor, que tinha apenas dez minutos para descer a Consolação e não perder a peça, mas por conta do trânsito levou mais de vinte minutos e não encontrou Flávia, que ele não conhecia, mas que teria encontrado na fila se ele tivesse chegado na hora. Certamente os dois teriam iniciado um papo, pois Flávia levava um exemplar de Ficções, de Jorge Luis Borges, para ler enquanto esperava, já que foi ao teatro sozinha. Victor, que é louco por Borges, jamais deixaria de perceber esse detalhe. Mas o fato é que Victor ganhou um bilhete premiado da Loteria da Babilonia e nunca chegou, e nunca mais chegaria, pois irritado com o trânsito acabou pegando uma contramão, batendo de frente com um ônibus cujo radiador foi irreversivelmente danificado pelos ossos do seu crânio. O acidente bloqueou a rua e atrapalhou os planos de Vanderley, Roberto e sua cúmplice (da qual por um lapso de memória, neste instante, não me lembro o nome), que desistiram de levar adiante um assalto, que se tivesse ocorrido, provavelmente fracassaria, ou evoluiria para um seqüestro mas eu não tenho tanta certeza, pois em momentos como esses coisas incríveis acontecem, até mesmo chuvas de sapos.

Mas nada disso tem a ver com a peça, exceto por um ou dois nomes próprios, a hora e talvez algumas circunstâncias. Se por acaso você chegou a ler este texto, talvez queira saber que história é essa da qual eu falo, porque talvez, apesar de tão diferente, talvez seja tudo uma história só, apenas as últimas notícias de uma história que ainda não terminou.

* * *

Como sempre, isto não é uma crítica de teatro. É só mais uma viagem inspirada pelas impressões despertadas numa madrugada da sexta para o sábado num teatro da Praça Roosevelt.

A peça Últimas Notícias de uma História Só é uma criação coletiva dirigida por Otávio Martins (ex-Cia. do Latão) com Alex Gruli, Luciano Gatti e Melissa Vettore, e está em cartaz toda sexta e sábado, à meia-noite, no Satyros II. E se por um acaso você chegar um pouco mais cedo, tipo antes das 18h, aproveite e assista também El Truco, de Roberto Audio, com o Núcleo Experimental dos Satyros, as 18h, no mesmo teatro.

Amanhã irei ao Rio de Janeiro, a trabalho, mas à noite tentarei ver algumas peças do Festival do Rio. Volto quinta. Na quinta à noite começam as Satyrianas.

24.9.07

A utopia das ciclovias


Estacionamento de bicicletas em Amsterdam

Por causa do Dia Mundial sem Carro, no último sábado (que fracassou em São Paulo), os meios de transporte alternativos voltaram a ser assunto na mídia. Falou-se muito do uso das bicicletas, da falta de infraestrutura urbana para esse tipo de transporte, e da famigerada solução de sempre: a ciclovia.

É uma discussão inútil. Sempre que esse assunto está em pauta os grupos de interessados se reunem com os governos que produzem projetos mirabolantes. A solução não é a ciclovia. Encher a cidade de ciclovias é a solução mais cara e inviável para estimular o uso de bicicletas. É improvável que esses projetos saiam do papel em menos de uma década ou mais. Nem as motos têm vias exclusivas suficientes; como acreditar que as bicicletas terão? Vão tirar de quem? Dos carros? Dos pedestres?

Eu não me refiro às ciclovias de brinquedo, que ligam nada a lugar nenhum (e que há um monte delas na cidade). Fazer ciclovias assim é fácil, mas se a idéia é incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte, essas ciclovias não ajudam em nada.

Ah sim, existem os críticos que acham uma loucura qualquer tipo de investimento nessa área. Já ouvi argumentos que São Paulo não é uma cidade para bicicletas, que tem ladeiras demais, que o trânsito não permite (já bastam as motos e os carroceiros). Também é muito fácil encontrar motivos, fora a preguiça, para não trocar o carro pela bicicleta como transporte individual: o calor, o frio, a chuva, o Sol, o ar seco, a poluição, o risco de assalto, o risco de ser atropelado, os caminhões, o suor, as ladeiras, a lama, os esgotos, os buracos. Eu também consigo enumerar muitos motivos para não caminhar, para não pegar ônibus nem metrô, enfim, há vários motivos para nunca sair de casa.

Na verdade há muita gente que usa bicicleta como meio de transporte na cidade, mas são pessoas que usam por necessidade e talvez não usassem se tivessem carro. Será que as ciclovias iriam fazer com que as outras pessoas, as que usam carro para tudo, aderissem à bicicleta? Eu duvido.

Eu uso a bicicleta como meio de transporte (bem menos do que uso carro, táxi, metrô e ônibus). Utilizo geralmente em trechos pequenos (menos de 6 km). As ciclovias não me fazem falta. Há vias de baixo movimento suficientes para esse tipo de deslocamento. Eu só não utilizo mais porque nunca sei se no meu destino encontrarei um lugar para deixar a bicicleta. E é esse, para mim, é o maior problema da cidade em relação à adoção da bicicleta como meio de transporte.

Eu posso sair de carro e deixá-lo estacionado na rua, se houver vaga, ou pagar um estacionamento. Para a bicicleta eu preciso levar comigo um cadeado e cabo de aço de 2 metros (que permita prender o quadro, as duas rodas e o selim) e de um lugar seguro para prendê-la. Mas nem sempre é fácil. Bicicletas não são sempre bem vindas. Já fui abordado por seguranças de um prédio que não deixaram que eu prendesse a bicicleta na grade de um muro que ficava na calçada. Um deles me informou que se eu insistisse, eles cortariam o cabo. Há exceções, mas a maior parte dos estacionamentos privados e de prédios comerciais também não aceita bicicletas.

Eu uso a bicicleta para ir a uma academia que fica a um quilômetro e meio da minha casa. É uma grande academia multiesportiva que apóia atletas e promove competições de ciclismo urbano mas não possui sequer um lugar na calçada para estacionar bicicletas. A maior parte dos freqüentadores vai de carro ou de moto e o estacionamento conveniado que há no seu subsolo não aceita bicicletas.

Eu utilizaria mais a bicicleta se houvesse onde deixa-la. Não preciso que a cidade tenha dezenas de quilômetros de ciclovias. Preciso de um lugar na estação de metrô mais próxima (que ficam a menos de um quilometro e meio da minha casa) para deixar a bicicleta, e ter esperanças de encontrá-la inteira quando voltar. Consigo chegar em qualquer uma dessas estações em cinco a dez minutos, trafegando por vias locais de pouco movimento. É sempre um problema encontrar um lugar (os poucos lugares bons estão tomados de bicicletas) e os outros são arriscados.

A prefeitura anuncia que está investindo em estacionamentos gratuitos nas estações de metrô e trem. São garagens cobertas, com um funcionário em tempo integral. Ficam lotadas. Mas nem precisava de tanto. Um rack em um local movimentado já seria um grande avanço (já que a disputa é por espaço nos postes). O problema desses investimentos maiores é que eles acontecem numa lentidão insuportável. Até agora inauguraram duas garagens, eu acho. Vão inaugurar mais duas no ano que vem. Talvez em cinqüenta anos chegue uma garagem de bicicletas na estação Sumaré ou Vila Madalena.

Mas por que os estacionamentos que aceitam carros e motos não podem aceitar também bicicletas? Vez ou outra eu pergunto os motivos. Uma vez recebi a informação de que a seguradora não cobria danos ou furtos de bicicletas e por isto o estacionamento não poderia aceitá-los. Será este o motivo? Será que não há como resolver isto? Eu até pagaria uma taxa para estacionar a minha bicicleta com segurança num estacionamento. Há tantos estacionamentos privados na cidade. Não creio que seria necessário um grande investimento da parte deles e da prefeitura para que pudessem oferecer um lugar para acomodar bicicletas. Com certeza seria uma solução bem mais rápida, barata e eficiente do que continuar investindo na utopia das ciclovias.

26.6.07

Iz sobre o arco-íris

Israel "Iz" Kamakawiwo Ole foi o mais influente músico do arquipélago do Havaí. Brother Iz - como era chamado em sua terra - não era grande apenas no sobrenome. Tinha quase um metro e noventa e ocupava bastante espaço com seus 350 quilos. Mas ele tinha um estado de epírito tal que parecia não se incomodar com sua imagem obesa. Pelo contrário, estava totalmente à vontade com seu peso e tirava proveito dela em seus vídeos e discos que tinham capas surreais. Tinha uma vida ativa: envolveu-se com questões políticas do arquipélago e foi ativista a favor da sua independência. Mas, apesar de sempre alegre e sorridente, tinha dificuldades para caminhar e vários problemas de saúde devido à obesidade, que acabou causando a sua morte aos 38 anos de idade, no dia 26 de junho de 1997, há 10 anos.


Brother IZ tocando o seu maior sucesso: uma regravação de Under the Rainbow e What a Wonderful World.

Quer saber mais? Há poucos meses o Alexandre Inagaki escreveu um ótimo artigo sobre Iz. Confira!

19.6.07

Júpiter e o Escorpião

Uma das constelações mais fáceis de identificar é a constelação de Escorpião. É uma das poucas que realmente parece com o animal que representa. Nesta época do ano ela estará no céu durante a noite inteira. E se você encontrar o Escorpião, também encontrará o planeta Júpiter, que atualmente está bem próximo. Talvez seja até mais fácil fazer o contrário. Procurar por Júpiter - o astro brilhante que nasce no leste quando o Sol de põe no oeste - e depois tentar identificar o Escorpião. Se você estiver em uma cidade muito iluminada, espere até um pouco mais tarde, depois das nove ou dez horas da noite. Se não houver nuvens deve ser fácil identificá-lo perto do zênite (às vezes é até mais fácil do que na zona rural, pois as estrelas visíveis são as que dão a forma do o escorpião).

Veja a imagem abaixo e depois tente localizar o escorpião no céu. Passe o mouse sobre a imagem para ver como ligar os pontos.


Passe o mouse sobre a imagem para ver o escorpião

Mas não confunda Júpiter com Vênus. Ambos brilham bastante (são os astros mais brilhantes do céu depois da Lua), porém Júpiter está nascendo no leste enquanto Vênus está se pondo no oeste.

Se você procurar por Vênus hoje, irá encontrá-lo perto da Lua, e poderá aproveitar para também identificar o planeta Saturno, que está próximo. Procure a Lua no horizonte por volta das sete horas da noite ou mais tarde. Um pouco abaixo, há um astro muito brilhante que é Vênus. Entre Vênus e a Lua há outro astro brilhante, porém de menor intensidade. É Saturno. Se não houver nuvens, dá para vê-los até mesmo em uma cidade iluminada como São Paulo.


Esta imagem é válida para o dia 19 de junho. No dia seguinte a Lua estará um pouco mais distante.

A imagem acima vale para o dia 19 de junho, mas nos outros dias do mês, Vênus irá se mover muito pouco em relação a Saturno. A Lua é que não estará mais lá. Em julho, por volta do dia 17, haverá nova conjunção de Vênus com a Lua crescente, que estará mais próxima dos dois planetas.

Finalmente, no dia 28 de junho, a estrela brilhante que estará próxima da Lua quase cheia será Júpiter.

30.1.07

Naughty McNaught mostra o rabo

Meu computador está passando por uns graves problemas de saúde e eu estou toda semana em uma cidade diferente. Isto tomou meu tempo e não consegui terminar o segundo post que eu escreveria sobre cometas. Vou deixar para falar deles em outra ocasião, mas para fechar o assunto, uma galeria de fotos da passagem do surpreendente McNaught.

O sudeste estava coberto de nuvens. Belíssimas nuvens. Nada de cometa. Somente nuvens formando quadros abstratos com a Lua.


Dia 20, na Praça do Por do Sol (São Paulo). Neste dia houve uma conjunção de Vênus com a Lua.

Por sorte, viajei para o sul e finalmente (depois de umas sete tentativas frustradas no Rio e em São Paulo), consegui fotografá-lo em Caxias do Sul.


Dia 22, em Caxias do Sul

Foi o melhor que eu consegui, apesar da névoa, das luzes da e da minha máquina com míseros dois segundos de exposição.

Mas minha foto não é nada diante das imagens abaixo.


Dia 18, na Austrália


Dia 20, em Porto Alegre, por Sandro Eboni

McNaught apareceu sem avisar, e já se foi. Volta, dizem, em cem milênios. Mas antes haverá outros. Sempre existe a possibilidade de um cometa nos surpreender a qualquer momento, passar raspando pela Terra e causar um belo espetáculo.

Mas não foi só o cometa que me supreendeu em Caxias do Sul. No dia em que voltaria para São Paulo, uma chuva repentina impediu que o avião pousasse, e tive que esperar por um ônibus no aeroporto que nos levaria para Porto Alegre. Então, fui até a banca de revista, abri uma conhecida revista de literatura e tive um susto. Vou contar essa história no próximo post, que vai causar uma tempestade.

17.1.07

Naughty McNaught


Cometa McNaught sobre a Cracóvia no último dia 13 de janeiro (NASA)

“Cometas são estrelas vis. Todas as vezes que eles aparecem no sul, algo acontece para dar um fim ao que é passado, e estabelecer o novo” (Li Ch’un Feng, 602-667 d.C.)*

“Cometas são a fumaça dos pecados humanos, nascendo todos os dias, todas as horas, em cada instante, cheio de miasma e horror diante da face de Deus” (Andreas Celichius, bispo luterano de Altmark, 1578)

“Se cometas fossem causados pelos pecados dos mortais, eles nunca estariam ausentes dos céus” (Andreas Dudith, também bispo de Altmark, 1579)

“Senhor, livrai-nos do diabo, dos turcos e do cometa” (Trecho inserido na Ave Maria pelo Papa Calixto III, em um ato de excomunhão contra o cometa Halley de 1456. Ele acreditava que o cometa tinha ligações com a causa turca e a tomada Constantinopla.)

“Os franciscanos, desarmados, crucifixos nas mãos, estavam no pelotão de frente, invocando o exorcismo papal contra o cometa” (relato da batalha de Belgrado, cidade sob controle cristã assediada pelos turcos por Mohammed II em 1456)

“Em Tenochtitlán, o imperador asteca Montezuma II (1466-1520) estava a espera do grande deus de barbas brancas, Quetzacoatl, que de acordo com as profecias, voltaria ao México para reivindicar seu império. Quando dois cometas brilhantes apareceram em seqüência parecendo encontrar-se no céu, Montezuma tomou como certa a previsão que Quetzacoatl estava a caminho e que o império asteca já não era mais seu. Desconsolado, ele passou a considerar cada incêndio, tempestade ou catástrofe da natureza como sinais que reforçavam essa certeza. O mestre do maior império do ocidente foi reduzido à imobilidade por dois cometas e uma profecia. Então, em 1519, quando o conquistador de barbas brancas Hernan Cortés chegou dos mares orientais com uma força expedicionária de 600 homens e alguns cavalos, Montezuma não precisou de muita persuasão. Ele entregou seu império de volta a Quetzacoatl. Por vários motivos os astecas não resistiram ao pequeno exército de Cortés, mas a conquista e o saque do México, e a aniquilação da civilização asteca foram, em alguma medida significativa, devido ao terror fatalista dos cometas.” (Carl Sagan e Ann Druyan, Comet, Random House, 1985)


Cometa McNaught sobre a Catalunha no último dia 15 de janeiro(Juan Casado)

Atrás das nuvens há um cometa. Por alguns dias tem sido o maior astro do Sistema Solar, superando várias vezes o Sol (estou incluindo a cauda). Chegou aqui no sul na segunda-feira, mas está de passagem e vai embora. Ele chama-se McNaught.

Se as nuvens não estiverem, cubra o Sol e procure à sua esquerda, ou espere o fim da tarde quando a luz diminuir. Nem o Halley, nem o Hale-Bopp brilharam tanto. Faz 40 anos que um cometa não brilha tanto. Não deixe passar. Pode ser que você nunca mais veja um tão brilhante. Amanhã escreverei outro post sobre cometas.

* Todas as citações são do livro Comet, por Carl Sagan e Ann Druyan.

23.7.06

O Rijksmuseum, em Amsterdã


Rijksmuseum de Amsterdã visto da Museum Platz.

O Rijksmuseum de Amsterdã é o maior museu de arte e história da Holanda, com mais de um milhão de objetos em exposição, destacando obras de artistas holandeses do século XVII como Rembrandt, Vermeer, Frans Hals e outros. O museu é imenso, mas apenas uma pequena parte estava aberta, pois o prédio inteiro passa por uma reforma. Essa pequena parte, chamada De Meesterwerken (as obras-primas), concentra dois andares e 14 salas onde está em exposição uma seleção das obras primas do museu.

A exposição é organizada em ordem cronológica e conta a história da Holanda através das obras de arte. A viagem no tempo não se resume a quadros. Há vários objetos, esculturas, casas de boneca, móveis, armas, porcelana, jóias. Muitas vezes um objeto retratado em um quadro antigo também está em exposição. Não houve tempo para apreciar tudo. Como o tempo era pouco, eu preferi pular as exposições de objetos e concentrar-me nas pinturas.


Imenso quadro de Van der Helst (Banquete em celebração da paz de Münster) domina a entrada do Rijksmuseum na sala dedicada à república holandesa.

Nenhuma visita virtual ou livro de arte compara-se à visita a um museu. Não conheço fotografia que faça justiça às pinturas expostas no Rijksmuseum. Não descobriram ainda uma maneira de reproduzir em filme, impresso ou projetado, as cores e os efeitos que Rembrandt e seus contemporâneos conseguiam representar com tintas. Aquelas imagens estão além da fotografia. Algumas parecem até tridimensionais. Quase consigo tocar nos recipientes de barro do único quadro de Johannes Torrentius; e a mão do capitão Frans Cocq na Ronda Noturna de Rembrandt parece querer sair do mundo bidimensional onde está presa. O meu Rembrandt favorito - Jeremias lamentando a destruição de Jerusalém - tem detalhes em ouro e prata que brilham como se estivessem ali, de verdade. Nenhuma fotografia causaria uma ilusão tão perfeita.


Jeremias lamentando a destruição de Jerusalém (detalhe) de Rembrandt van Rijn. Clique na foto para ver a tela inteira.

Um imenso quadro de cinco metros e meio de largura retratando personagens em tamanho real ocupa a maior parede na sala de entrada do Rijksmuseum. São vinte e cinco militares comemorando a paz que permitiu o surgimento da Holanda: o Tratado de Münster (ou Tratado da Westfália) que marca o fim da guerra de oitenta anos com a Espanha em 1648, e o reconhecimento oficial das províncias holandesas como república independente. Nesta sala havia vários outros objetos relacionados ao início da república holandesa.


Banquete em celebração da paz de Münster, de Bartholomeus van der Helst. 1649 - Oléo sobre tela, 232x547. Clique na foto para ver uma versão maior no site do Rijksmuseum.

A sala seguinte é dedicada às conquistas holandesas pelo mundo. Uma das pinturas mostra a cidade de Olinda, Pernambuco, pintada por Frans Post, artista holandês que servia a Maurício de Nassau durante o período em que parte do nordeste brasileiro vivia sob o domínio holandes.


Frans Jansz Post (1612-1680): vista de Olinda, Brasil (Óleo sobre tela, 107,5 x 172,5cm, 1662). Clique na foto para ver uma versão maior no site do Rijksmuseum.

As outras três salas do andar térreo são dedicadas principalmente a objetos do cotidiano, porcelanas e tesouros da Idade de Ouro da Holanda (século XVII). Há duas casas de boneca, contendo salas ricamente mobiliadas em miniatura, que mostram em detalhes como eram as casas dos ricos habitantes de Amsterdã nessa época.

O segundo andar é ocupado principalmente por telas de pintores holandeses do século XVII, com destaque para Frans Hals, Rembrandt, Johannes Vermeer e Jan Steen. Há uma sala especial para o quadro mais importante do museu: a Ronda Noturna, de Rembrandt.

Frans Hals


Retrato de casamento de Isaac Massa e Beatrix van der Laen (Frans Hals, 1622). Clique para ver a tela inteira no site do Rijksmuseum.

Frans Hals nasceu na Antuérpia e mudou-se para o Haarlem quando a cidade foi tomada pelos espanhóis na Guerra dos Oitenta Anos. Ele é bastante conhecido pelos retratos que fez de personalidades famosas e ricas. O quadro de Hals que eu mais gostei foi o retrato de casamento de Beatrix e Isaac. Beatrix, 30, era filha de um burgomestre, e Isaac, 35, era um diplomata e historiador que vivera na Rússia. Casais normalmente retratavam-se separados em poses sérias, mas Isaac e Beatrix queriam algo diferente e foram pintados em um jardim, lado a lado, espontaneamente sorrindo para o artista. Hals pintou vários outros retratos de casais, mas nunca juntos, sorrindo ou na mesma tela.

Rembrandt van Rijn


A Noiva Judia (Rembrandt van Rijn, 1667). Este quadro era um dos preferidos do pintor Vincent Van Gogh.

Rembrandt van Rijn é o mais célebre pintor da Holanda e seus quadros aparecem em três salas da exposição De Meesterwerken do Rijksmuseum. Eu escrevi um texto sobre Rembrandt que postei aqui há alguns dias em homenagem aos seus 400 anos.

Johannes Vermeer


Fragmento da mais famosa tela de Johannes Vermeer (1632-1675) do Rijksmuseum: De Keukenmeid.
 Johannes Vermeer é considerado hoje um dos pintores holandeses mais importantes do século XVII, mas por séculos foi esquecido. Nasceu e viveu praticamente toda a sua vida na pequena cidade de Delft, onde teve onze filhos e morreu aos 43 anos de idade. Ele não assinava seus quadros e muitos podem ter se perdido. Reconhece-se a existência de 35 obras de sua autoria. A maior parte de suas obras retrata cenas do cotidiano. Sua principal obra no Rijksmuseum é A moça do leite, que mostra uma mulher vestida em roupas simples despejando leite em uma vasilha num ambiente iluminado pela luz indireta que penetra pela janela.

O quadro mais conhecido de Vermeer, Moça com brinco de pérola, não está no Rijksmuseum e nem em Amsterdã, mas na cidade próxima de Haia (Den Haag) onde é a principal atração do Mauritshuis, que também guarda outras obras célebres de Vermeer.

Jan Steen


A Família Feliz, de Jan Steen (1668)

Jan Steen era um contador de histórias. É preciso decifrá-las observando detalhes como objetos, gestos e olhares dos personagens que aparecem nos seus quadros. Nunca é óbvio. Sempre há mais acontecendo do que parece, e ele constuma esconder parábolas nas histórias. No quadro que retrata a família feliz, há uma folha que pende do teto onde está escrito "enquanto cantam os velhos, fumam os jovens", e há uma criança bebendo sem que os pais vejam.

A Ronda Noturna, de Rembrandt van Rijn

A obra mais famosa do Rijksmuseum é a Ronda Noturna (De Nachtwacht), de Rembrandt van Rijn. É o maior quadro que Rembrandt pintou e ocupa uma sala inteira do museu. Retrata a companhia militar do Capitão Frans Banning Cocq. Parece uma fotografia capturando os vários personagens em movimento. Na foto, vê-se o capitão Banning Cocq que desloca-se apressadamente para fora do quadro enquanto dá ordens ao seu tenente Van Ruytenburch para segui-lo. Movimento e contrastes de luz são característicos dos quadros de Rembrandt.


A Ronda Noturna (The Nightwatch) de Rembrandt van Rijn. Clique na foto para ver uma versão maior no site do Rijksmuseum.

O título verdadeiro do quadro não é Ronda Noturna, mas quando foi descoberto, ele estava coberto por um verniz escuro que o fazia parecer uma cena noturna, e assim ganhou o apelido. Na verdade, a cena é diurna e representa um grupo de mosqueteiros saindo de um prédio. Os contrastes são provocados pela luz do Sol. Nos últimos anos o quadro foi restaurado revelando suas cores originais (era bem mais escuro).

Nightwatching, de Peter Greenaway


Peter Greenaway.
Quando visitei o Rijksmuseum havia uma instalação recém inaugurada sobre a Ronda Noturna criada pelo cineasta inglês Peter Greenaway, que mora em Amsterdã. A apresentação utiliza-se de projeções feitas diretamente sobre a tela para revelar as histórias por trás dos personagens. Além da exposição interativa, Greenaway também está fazendo um filme e uma peça sobre Rembrandt em comemoração aos 400 anos do pintor.

O filme chama-se Nightwatching, e está ambientado no ano de 1642 (o ano em que a pintura foi feita). Mistura fatos com ficção. Um acidente fatal ocorrera com um dos militares que encomendara o quadro. Rembrandt teria descoberto que o ocorrido não fora um acidente e revelado o assassino através de pistas ocultas na pintura. Mas os outros teriam descoberto, porém não podiam mais destruir o quadro. Buscaram, então, sutilmente destruir o artista. Greenaway aproveitou-se de fatos históricos, de mistérios contidos na Ronda Noturna e na decadência do artista depois da pintura do seu quadro mais célebre. Nightwatching será lançado em 2007.

A peça, que deve estrear este ano, é basedada em relacionamentos domésticos, sociais e simbólicos de Rembrandt com suas três mulheres: Saskia, Geertje e Hendrickje. Mais detalhes sobre a peça e uma sinopse completa sobre o filme estão no site do cineasta.

Rijksmuseum, na Internet

Não é o mesmo que a experiência de visitar o museu, mas o site do Rijksmuseum é uma obra de arte do Web design e vale a pena ser visitado. Há informações sobre centenas de obras, imagens em alta resolução, vídeos e animações interativas que permitem navegar em diversas partes do museu em 3D. Há inclusive uma seção especial e interativa sobre a Ronda Noturna de Rembrandt. O site está disponível em holandês e inglês.

A viagem para Amsterdã


A rua Damrak. A fundo está a estação central.

Eu estava em dúvida se ia ou não a Amsterdã. No dia anterior havia ido a Colônia e o resto do nosso grupo estava em Amsterdã e só voltaria no dia seguinte. Eu estava muito envolvido com o festival e estava preocupado que não ficasse ninguém do Brasil no acampamento. Além disso, estava trocando idéias com alguns atores para formarmos uma comunidade virtual com todos os participantes do festival. Precisávamos divulgar a idéia e juntar as pessoas, então pensei em ficar no acampamento na quinta-feira e cuidar disso. Quinta-feira era feriado e a organização havia planejado um tour em Dortmund, mas, devido à chuva, ao frio, e ao desinteresse geral, o evento foi cancelado e o dia ficou livre. Acordamos tarde. Esperamos algumas pessoas do acampamento que estavam interessadas em ir conosco. Como até 9h30 ninguém havia aparecido, fomos novamente apenas eu, Luís e Ricardo.

Ricardo tirou essas fotos da janela do trem, pouco antes de chegarmos na estação central.

Pegamos o metrô na estação Consolidation até a estação central de Gelsenkirchen onde compramos um bilhete de grupo para Amsterdã. Custou €247,00 para o grupo, ida e volta, o que seria €82,00 para cada. A viagem é rápida (2 horas e meia) no trem ICE da Deutsche Bahn. Seria uma viagem curta. Teríamos menos de seis horas em para aproveitar a cidade, pois o último trem para a Alemanha sairia as 19 e alguma coisa. Mas, quando descemos na estação de Oberhausen ficamos sabendo que o ICE iria atrasar cinqüenta minutos, ou seja, teríamos menos de cinco horas em Amsterdã.


Caminhada de 3km em Amsterdã, da estação central até o Rijksmuseum

Isto foi no dia 15 de junho, feriado de Corpus Christi. Chegamos em Amsterdã antes das duas horas da tarde, almoçamos e fomos caminhar. As atrações surgem logo que se deixa o trem, na bela Centraal Station de 1889, projetada por Pierre Cuypers (mesmo arquiteto que projetou o prédio do Rijksmuseum.) Seguimos para o Sul pela rua Damrak, depois entramos num beco e seguimos por uma rua paralela até a praça Dam, onde está o Palácio Real e a igreja nova (Neuwe Kerk), que não é tão nova assim. Estava frio e começava a chover levemente.


Rua estreita saindo da Damrak.
A praça Dam é o coração da cidade. Foi lá que surgiu, no início do século XIII, a pequena vila de pescadores que represou o rio que desaguava na baía Ij (pronuncia-se "ai"). É dela nasceu o nome da cidade: Amstel re dam. A rua Damrak, que segue da estação central até a praça Dam, e a rua Rokin, que segue para o Sul depois da praça, eram as margens dos portos onde os barcos eram atracados. Damrak era o porto que dava para a baía e que foi fechado com a construção da Centraal Station sobre uma ilha artificial em 1889. Rokin era o porto interno, que dava para o rio.


Damrak.

O prédio que mais chama atenção na praça Dam é a antiga Camara Municipal, que hoje é o Palácio Real. O prédio foi concluído em 1655. A escultura da fachada, em alto relevo, foi feita por de Artus Quellinus (1609-1668). Tem 20 metros de largura e representa os quatro continentes em referência ao status de centro do comercial mundial que a Holanda possuía na época.

O Palácio Real (antiga Câmara Municipal), de 1655. À esquerda, quadro de Gerrit Berckheyde (1672), exposto no Rijksmuseum. A foto a direita é minha.

No século XIV a cidade cresceu devido ao comércio com outras cidades do norte da Europa, e ganhou relativa importância, mas o maior crescimento ocorreu depois que sua rival na época - a cidade de Antuérpia, tornou-se o principal alvo dos espanhóis durante Guerra dos Oitenta Anos. Os massacres, assédios e perseguições por motivos religiosos afastaram banqueiros, comerciantes, artistas e empreendedores que migraram para Amsterdã. E assim, a cidade floresceu durante o século seguinte e tornou-se uma das cidades mais ricas do mundo. Foi nessa época que o famoso conjunto de canais que envolve o centro histórico foi construído e a Holanda, com suas duas companhias marítimas multinacionais, estabeleceu sua presença nos cinco continentes.

No início do século XIX a Holanda foi invadida pela França e foi convertida em uma monarquia presidida por Luís Napoleão (irmão de Napoleão Bonaparte), que estabeleceu seu palácio no prédio da antiga câmara municipal. Quando os franceses finalmente foram expulsos, os holandeses decidiram manter uma monarquia com sede em Amsterdã, nomeando como rei Willem IV de Orange (descendente direto de Willem I de Orange-Nassau, o pai da república holandesa.) Apesar de Amsterdã ser a capital oficial da Holanda, o parlamento holandês exerce suas funções em Haia (Den Haag). Hoje, Amsterdã ainda é o centro cultural e financeiro da Holanda. Na cidade vivem mais de 750 mil pessoas em uma região metropolitana de cerca de um milhão e meio. Apesar do desenvolvimento, a arquitetura do centro foi preservada e a cidade possui um dos maiores centros históricos da Europa, onde ainda predomina a arquitetura medieval.


Principal meio de transporte, em Amsterdam.

O lado onde fica a praça Dam é chamado de cidade nova, e o lado oposto de cidade velha, mas na verdade a cidade velha é mais nova que a velha. A confusão é por causa dos nomes das paróquias em volta das igrejas. Do lado da praça Dam fica a igreja nova (Nieuwe Kerk) e do outro fica a igreja velha (Oude Kerk).

Continuamos seguindo para o sul até até a torre Munttoren, que fica onde o rio Amstel se divide em canais. De lá seguimos pela Vijzelstraat, cruzando os canais até chegar na fábrica da Heineken, viramos à direita e fomos beirando o canal até o prédio do Rijksmuseum.


Rio Amstel. Foto de Ricardo Socalschi.


Prédio do Rijksmuseum. Foto de Ricardo Socalschi.

Casas belíssimas, ruas estreitas, canais e mais canais. Muitos canais. É fácil se perder em Amsterdã pois os canais, à primeira vista, parecem todos iguais. Também é preciso tomar cuidado com as bicicletas. A cidade tem mais de 600 mil e elas estão em todos os lugares, ocupando todos os espaços. Do lado da estação central, por exemplo, há um estacionamento para 2500 bicicletas, e estava praticamente lotado. Todas as ruas tem via para bicicletas e elas estão sempre buzinando para os pedestres desavisados que invadem sua pista. Na maior parte das ruas do centro também não existe desnível algum entre rua, trilho, ciclovia e calçada. Só mudam as cores do calçamento. Ou seja, ao caminhar, é preciso também ficar de olho nos carros (poucos) e principalmente nos trens.




Canais de Amsterdam. Eles são muito parecidos

Foi uma longa caminhada até o Rijksmuseum, mas não percebemos (só descobrimos o quanto andamos na volta). Como demos voltas e mais voltas, acho que andamos bem mais que 3km. Também fizemos algumas paradas. Nesse passo, chegamos no museu às 15h50. Calculamos que daria para ver o Rijksmuseum e também o museu Van Gogh, que ficava vizinho. A idéia era fazer uma visita de reconhecimento, ver apenas as pinturas em uma hora, e depois correr para fazer outra visita relâmpago no Van Gogh, pois ambos fechariam às 18h. Não deu. Ficamos no Rijks até 17h30. Ainda estávamos dispostos a passar 30 minutos, mas não deu para entrar no Van Gogh.

Uma hora e quarenta minutos no Rijksmuseum é muito pouco. As obras em exposição são janelas para o passado, contam histórias, revelam segredos que não estão óbvios, e é preciso tempo para ouvi-las. O Rijksmuseum conta a história da Holanda, desde o tratado de Westfalia, em 1648, ano em que foi oficialmente reconhecida a república holandesa, até o século XIX. Consegui fazer uma curta viagem no tempo, mas eu contarei essa história em outro post, que publicarei na seqüência.


Voltando do Rijksmuseum. Não sei que rua é esta. A torre atrás das casas deve ser a Munttoren.

Amsterdã e os Holandeses
Desde que libertou-se do domínio espanhol, e conseqüentemente da Igreja Católica, a Holanda tem mantido uma tradição de liberdade, tolerância e respeito aos direitos individuais. No século XVI, enquanto outras nações eram governadas por reis e tiranos, o país era uma república governada por representantes de cidadãos de suas províncias. Essa liberdade permitiu um grande desenvolvimento artístico, científico e comercial que fez do país uma potência mundial no século XVII. O mundo mudou, mas a Holanda continua sendo um dos países mais livres do mundo, e tem sobrevivido a atos de intolerância em seu próprio território como os assassinatos recentes de Pim Fortuyn e Theo van Gogh, em Amsterdã. Devido à sua política de liberdade e tolerância, na Holanda, várias coisas que são ilegais em outras partes do mundo aqui são legais, como a prostituição e a venda de cannabis e haxixe.


Não sei que rua é esta. Acho que é a Weteringschans ou alguma rua próxima. Estávamos perdidos.

Amsterdã faz muito sucesso entre os turistas, mas muitos holandeses não gostam de Amsterdã. Esta foi a impressão que eu tive entre os holandeses que eu conheci. Preocupam-se com a visão estereotipada e deturpada que a cidade passa ao mundo como se fosse a imagem da Holanda; reclamam que é uma cidade suja, que os holandeses estão indo embora e os estrangeiros estão tomando conta, que a prostituição passou dos limites, que é exagerada a quantidade de coffee-shops (onde a venda de Cannabis é legal), e que ela perdeu o charme que tinha no passado. Eu sei que ao visitar Amsterdã eu não conheci a Holanda. Isto seria como alguém conhecer o Rio de Janeiro e achar que conhece o Brasil. Eu gostei muito da cidade. Em outra viagem, com mais tempo, com certeza irei atrás de conhecer outros lugares na Holanda (recomendados por meus amigos holandeses), como Utrecht, Haia, (Den Haag), Maastricht, Leiden e Delft.


Centraal Station de Amsterdam. Foto: Ricardo Socalschi.

Perdendo o trem
Depois de desistir do museu Van Gogh iniciamos o caminho de volta caminhando pela cidade, porém os canais nos confundiram. Pegamos o sentido errado e nos perdemos. Estávamos sem relógio e nenhum relógio público da cidade marcava a mesma hora (até numa mesma torre havia relógios com horas diferentes). No fim, chegamos à estação de trem atrasados e perdemos o último trem para a Alemanha.


Distrito da luz vermelha.

Foi ótimo perder o trem. Fomos atrás de lugares para dormir e não achamos. Estava tudo lotado. Amsterdã vive cheia de gente. Muitos turistas. A impressão que se tem é que todo mundo perdeu o último trem e correu para um albergue ou hotel para passar a noite. Decidimos aproveitar o tempo: comer, beber, conversar, caminhar, visitamos bares e um coffee-shop. Lá pela meia-noite, caminhando em direção à estação, encontramos um hotel simples que, para a nossa surpresa, não tinha a placa Full (como todos os outros que havíamos encontrado).

Balada em Amsterdã
 Algum hóspede que precisou pegar um vôo tinha acabado de sair e liberado um quarto. Sem sono, ainda saímos para dar mais umas voltas. Circulamos pelo distrito da luz vermelha (que estava lotado de gente), andamos pelas ruas do centro (também cheias de gente), e entramos numa danceteria (€5,00) onde ficamos até fechar (as três da manhã acenderam as luzes e parou tudo). Voltamos para o hotel e no dia seguinte, às 7 horas, pegamos o trem para Herne onde chegamos a tempo de assistir às duas últimas apresentações do festival.


Canais Herengracht, Singel, Palácio Real (prédio retângular), Nieuwe Kerk (igreja) e Praça Dam. Foto de satélite do Google Maps. Clique na foto para ver Amsterdã no Google Maps (é possível ver pessoas e bicicletas lotando as praças e ruas da cidade.)

Veja mais fotos de Amsterdã na minha página no Flickr.
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AmsterdamAmsterdamAmsterdam City Hall
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