22.9.10

Inversão sobre desenhos e urubus


 Fonte: ANDA

Na Bienal há três humanos presos por uma coleira de um metro, amontoados, em cima de uma caixa de arame contendo alto-falantes, de onde as mesmas músicas tocam continuamente sem parar. Eles estão nus e sujos. Não falam. Parecem assustados. Acuados. Não podem correr. O chão é duro e frio. No ar há uma grade. Ficarão lá, confinados, em exposição por três meses. Durante o dia ficam trancados e não vêem o sol. Durante a madrugada, abre-se o museu para as pessoas e a música é ligada nas alturas. O veterinário responsável garante que os humanos são bem-tratados. Afirma que eles não se incomodam com o confinamento, uma vez que foram fornecidos por um presídio. Questionado sobre a ética de sua arte, o artista afirma que o limite é a lei, e que ele próprio não gosta de ver animais confinados, mas que obteve autorização para a instalação. Questionado sobre o fato que humanos têm hábitos diurnos, e sobre o stress a que estão submetidos, ele afirmou que é exagero afirmar que esses animais estejam sendo torturados, pois estão acostumados a viver presos.



Mas houve uma outra obra que causou polêmica na exposição. A obra foi censurada e denunciada pela ordem de advogados, que pede que ela seja retirada sob ameaça de prisão dos responsáveis por sua exibição. Trata-se de vários quadros de aproximadamente dois metros de altura onde o própria artista aparece desenhado assassinando urubus conhecidos. Em um deles, um urubu rei barbudo está amarrado na cadeira e é degolado pelo artista. Em outro ele estraçalha a cabeça do urubu-tucano com uma pistola. A justiça entendeu que tais desenhos são uma grave incitação ao crime, uma vez que isto põe em risco a vida e sobrevivência dos urubus, pois incentivaria as pessoas nesse sentido. Talvez a obra não causasse tanta polêmica caso o artista tivesse optado por usar ilustrações de assasinato de aves anônimas.

5 comentários:

Jaqueline disse...

Você inventou isso? Não tem ninguém preso com coleira na Bienal, só Urubu confinado.

Helder da Rocha disse...

É tudo verdade. Se ainda tiver dúvidas, tente uma das alternativas abaixo:
1) Leia o subtítulo deste blog.
2) Guie-se pelas fotos e esqueça o texto.
3) Leia o texto de novo, e de novo... um dia ele vai fazer sentido ;)
4) Fuja, pois o autor é louco.

Sweet* disse...

Hahahah!!! Adorei o texto e muito mais os comentários!

artuzo disse...

Olá, Helder!

Antes de tudo, parabéns pela tradução da Comédia; sou estudante de letras/italiano, e ela está me ajudando muito nos estudos de literatura. Porém, ao acessá-la hoje, percebi um defeito no script da página, que faz com que nas palavras acentuadas apareça um sinal de "?" em vez das letras acentuadas. Você está ciente desse defeito?
Mais uma vez, muito obrigado.

Rafael Artuzo

Ana Cristina Freire disse...

A função da Arte é essa mesmo... fazer pensar sobre o que está na vida. A infração não esta na obra que denuncia a infração,mas, na transcresão ao humano.