1.5.09

Última Homenagem


Foto: UFCG (07 de março de 2009)

Meu pai, falecido na semana passada, foi escolhido como paraninfo geral das turmas concluíntes da Universidade Federal de Campina Grande, ha pouco menos de dois meses. Abaixo está o discurso de apresentação pelo seu colega e professor Mário Araújo Filho.
APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR CRESO SANTOS DA ROCHA, PARANINFO GERAL DAS TURMAS CONCLUINTES 2008.2 DA UFCG, FEITA PELO PROFESSOR MÁRIO DE SOUSA ARAÚJO FILHO, NA SOLENIDADE DE COLAÇÃO DE GRAU, EM 07/03/2009, NO AUDITÓRIO DO GARDEN HOTEL, EM CAMPINA GRANDE, PB.

"Magnífico Reitor Thompson Fernandes Mariz, Senhor Diretor do CEEI, professor Wellington Santos Motta, em cujo nome saúdo os demais componentes da Mesa e demais autoridades aqui presentes, Colegas Conselheiros da UFCG, Prezados formandos e suas famílias, Demais presentes a esta solenidade.

Feliz da instituição que sabe reconhecer o mérito dos que a constroem.

Promissor é o futuro das organizações que não olvidam seu passado.

Não nascemos hoje, e o que agora somos se deve ao contributo de todos e de cada um ao longo do tempo.

Nunca é demais reafirmar permanentemente que temos memória, temos história, e que foi longa e difícil a trajetória percorrida até chegarmos aqui.

E é isso, sem dúvida, o que faz a UFCG, ao destacar, em particular nos momentos áureos das colações de grau, aqueles que a construíram, desde quando se inaugurou o ensino superior em Campina Grande.

Minhas Senhoras, Meus Senhores.

Recebi a incumbência de fazer a apresentação do homenageado de hoje, de quem fui aluno, o Paraninfo-Geral das Turmas Concluintes do Período 2008.2, o Professor-Doutor Creso Santos da Rocha.

Nascido no Recife, é praticamente cidadão campinense, pois passou a residir de forma definitiva em Campina Grande.

Aqui realizou boa parte da sua formação, sempre em escola pública, passando pelos bancos do Colégio Estadual da Prata.

Em 1964, ingressou na Escola Politécnica, a saudosa POLI, para fazer o Curso de Engenharia Elétrica, cuja primeira turma é de 1963.

Suas atividades de estudante universitário, desenvolveu-as paralelamente ao trabalho como bancário, que exerceu no Banco Industrial de Campina Grande e, posteriormente, no Banco do Brasil.

Graduado em Engenharia Elétrica pela UFPB em 1968, especializou-se em Métodos e Técnicas de Ensino pela Universidade de Brasília em 1969 e, em 1970, foi contratado como Professor Auxiliar de Ensino, lotado no Departamento de Engenharia Elétrica (DEE) da UFPB.

Ascendeu a Professor Adjunto (RETIDE) em 1974, e permaneceu nesse nível até 1996, quando, por concurso público, chegou a Professor Titular.

Ainda em 1970, com dois anos de graduado, Creso foi chamado a atuar como Diretor Técnico da TELINGRA – Telecomunicações de Campina Grande S.A., atividade exercida por dois anos.

Em 1972, obteve o grau de Mestre em Engenharia Elétrica pelo CCT da Universidade Federal da Paraíba.

Entre 1975 e 1980, ele esteve fora do País para capacitação, cursando o Doutorado na Universidade de Waterloo, em Ontário, no Canadá.

Ao longo da sua carreira acadêmica, o professor Creso Santos da Rocha teve forte atuação no Ensino e na Pesquisa, na Graduação e na Pós-Graduação, e também no campo da Extensão.

Na Graduação, lecionou as disciplinas Matemática IX (Funções de Variáveis Complexas), Sistemas Lineares, Princípios de Controle e Servomecanismos, Eletromagnetismo, Ondas Eletromagnéticas, Cálculo Numérico, e foi orientador de Estágios.

Em cursos de extensão, deu aulas sobre Linhas de Transmissão, Antenas e Propagação, Métodos Numéricos, FORTRAN e Operacionalização de Microcomputadores.

Na Pós-Graduação, ministrou Teoria Eletromagnética, Métodos Numéricos, Tópicos Avançados em Métodos Numéricos e Cálculo de Campo.

O professor Creso Santos da Rocha também ocupou postos de gestão acadêmica. Foi Chefe do Laboratório de Computação Analógica (1970-1975), Coordenador e Vice-Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UFPB (década de 80), e Coordenador do Programa Waterloo-Brasil da agência de cooperação canadense CIDA, secção Engenharia Elétrica, de 1983 a 1987.

No campo da pesquisa, desenvolveu intensa atividade acadêmica, publicou trabalhos e orientou dissertações de mestrado e teses de doutorado, contribuindo para a qualificação de profissionais que hoje desenvolvem atividades docentes em Engenharia Elétrica, na Paraíba e em outros Estados.

O professor Creso teve inúmeras participações em congressos e eventos científicos, para apresentação de artigos, com a co-autoria de alunos e colegas, todos voltados para a área na qual concentrou seus esforços de pesquisa - a área de Microondas e Eletromagnetismo Aplicados.

Contribuiu ainda para o desenvolvimento e divulgação das atividades do seu campo de interesse, coordenando simpósios e atuando como revisor de trabalhos científicos.

Depois de aposentado em 1996, o professor Creso atuou por um ano (março de 97 a março de 98) como Professor Visitante do DEE do CCT/UFPB.

Aposentado – mas não “inativo” – e buscando ampliar os horizontes da sua formação, o incansável professor Creso tornou-se aluno do Curso de Comunicação Social da UEPB, tendo se bacharelado (Habilitação em Jornalismo) no ano de 2002.

Prezados Concluintes,

É este, em rápidas pinceladas, o vosso Paraninfo: um professor dedicado, um pesquisador qualificado e reconhecido, mas – acima de todos os títulos – um homem simples, um cidadão comum. Um educador e um cientista, situado entre os mais abnegados construtores da nossa Universidade.

Por tudo isso, é plena de justiça a homenagem ora feita nesta Colação de Grau do Período 2008.2 da Universidade Federal de Campina Grande.

Era o que tinha a dizer.

Muito obrigado!"

Campina Grande, 7 de março de 2009

Mário de Sousa Araújo Filho
Professor Adjunto IV – DEE/CEEI/UFCG


(Mário de Sousa Araújo Filho foi também o meu professor quando cursei Engenharia Elétrica na UFCG, na disciplina de Eletromagnetismo)

Depois vou postar o discurso.

3 comentários:

Andrea disse...

Oi Helder,

Ocorreu-me hoje passar por aqui. Gostaria de deixar os meus sentimentos pela sua perda e desejar paz e tranquilidade nesse momento de sua vida. Um momento de reflexão, homenagem e honra- como você tem expressado.
Um abraço.
Andrea

Dri disse...

Helder,

Nessas horas não há mesmo o que dizer, só se solidarizar.

Deixo aqui meu beijo.

Heloisa disse...

Helder, cheguei aqui pelo site de sua adaptação em prosa da Divina Comédia(sou professora de História Moderna) e fiquei encantada com seu talento em tantas áreas de conhecimento, sua mente ágil, sua sensibilidade ímpar. Pena ter chegado nesta hora, meus sentimentos. Espero que você continue o trabalho e se sinta acompanhado, sempre.

Com meu sincero abraço.