31.7.07

Ingmar Bergman


Trecho da ópera A Flauta Mágica, de Mozart (cena de Papageno e Papagena) em produção teatral produzida e dirigida por Ingmar Bergman em 1975. Esta versão foi produzida para a TV sueca. Bergman (falecido ontem) teve grande atuação no teatro. A Wikipedia lista 171 produções que incluem óperas e clássicos de Shakespeare, Ibsen, Eugene O'Neill, Tchekhov e outros. Eu vi apenas 10% dos seus 54 filmes. Dentre eles, o meu favorito é o Sétimo Selo (1957).


Trailer de O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman

23.7.07

Vôo 3721



O terminal não está emitindo o seu bilhete eletrônico? O senhor terá que enfrentar aquela fila. Mas meu vôo vai sair em 45 minutos! Para onde o senhor vai viajar? São Paulo, 18 horas? 3721? Este vôo foi cancelado. Dirija-se àquela outra fila, onde tentaremos acomodá-lo em outro vôo. Aquela fila imensa ali? Não, aquela não. A outra, depois dela. Ah, ok.

Aqui está seu bilhete. Vôo 3715, 19h30. Embarque às 18h50 no portão seis. Tenha uma boa viagem. Obrigado.

Aqui também? Por que esta fila? É porque agora é preciso mostrar a identidade ao entrar na área de embarque. Ah, entendi. Depois tem mais outra fila, para o detector de metais. Laptop? Sim. É preciso tira-lo da mochila. Ok. Por favor, tire também da capa protetora. Acendeu a luz. Moedas, chaves? Não? Tire o cinto, por favor. Ok. Por favor, senhor, poderia arrumar sua mochila em outro lugar para dar espaço para as bagagens dos outros passageiros? Sim, claro, estou apenas colocando o notebook de volta.

Portão seis? Não é este o vôo. A companhia é outra. Deve estar no painel. Ah, achei. É quatro. O portão agora é o quatro e o vôo não sai mais às 19h30 como foi informado no balcão. Está previsto para as 20h15.

Vôo 3715 para São Paulo, informamos aos senhores passageiros que sua aeronave tem seu pouso previsto para as 20 horas, e seu embarque, quando autorizado, será realizado através do portão onze. Ela falou mesmo o vôo 3715? O portão onze fica do outro lado do aeroporto. No bilhete está escrito seis, mas no painel continua quatro. E agora?

Embarque portões nove a onze. Sim, é preciso mostrar a identidade novamente, Sim, é preciso tirar o laptop novamente. Pode passar outra vez, senhor? Moedas, chaves, celular? O cinto. Ah, esqueci. O cinto!

Painel do portão onze. São Luís, Manaus. Não é o meu vôo. Provavelmente ainda não foi atualizado. Mas já são 20h15.

Parece que estão anunciando. O avião já se encontra em solo, mas devido ao reposicionamento das aeronaves agora seu embarque foi alterado para o portão C. No bilhete o portão é quatro, no painel foi seis, mudou e continua onze. Já são 20h30, mas no painel o vôo vai partir às 20h15.

O embarque é imediato. É um ônibus, normal, de quatro rodas. O ônibus não é tão confortável quanto o terminal, principalmente por não ter assentos na porta. Ele está lotado e é muito quente. Fica parado, com o motor ligado, soltando fumaça que os passageiros quietos inalam. O tempo passa devagar. Mais de quinze minutos. Talvez meia hora. Chegam os dois últimos passageiros engravatados e apressados, e ele parte.

Dois ônibus lotados esperam ao lado de um Airbus A320. Três pessoas uniformizadas esperam diante de uma escada e ao lado de um tapete vermelho. As portas do ônibus estão fechadas, o motor continua ligado, e passageiros suados e pacientes observam as pessoas uniformizadas, a nave e o tapete vermelho pelas janelas. Cinco, dez, talvez quinze minutos.

Outra fila. Ah, mas esta não preciso enfrentar. 22E fica nos fundos. Na porta traseira a fila é menor. A bagagem não cabe. O compartimento está cheio. Vou ter que colocar debaixo do assento. É ruim para esticar as pernas. Com licença, eu estou no 22F. Claro! Um momento que eu vou sair. Acho melhor tirar a minha mochila senão você não vai conseguir entrar. Desculpe. Com licença. Obrigado.

Todos sentados. Estamos esperando alguma coisa. Mais meia hora. Onde guardei o iPod? Devo ter despachado. Todos já embarcaram? Parece que sim. Bala de chocolate? Não obrigado. Pensando bem, eu quero.

Não ouvi. O que ele falou? Ah. Esperando o seqüenciamento das aeronaves. Quanto tempo dura isto?

Portas em automático. Neste momento é preciso desligar os telefones celulares. Já está desligado. Poltronas na posição vertical. Ela mal reclina.

E a nave se move, lentamente, até mais uma fila. Que sono. Não posso reclinar o banco ainda. Atenção tripulação. A nave acelera, decola. Agora posso reclinar a poltrona, pouco, um giro de cinco graus.

Perdi o lanche. Dormi. Sim. Eu ainda quero. Claro. Faz horas que não como nada. Sanduíche frio, úmido, pesado, que gruda no céu da boca. Cem mililitros de suco, 30% de gelo.

Não ouvi. O que ele falou? Ele está falando inglês? Não dá para entender nada. Parece que chegaremos às onze horas e trinta minutos. Que ótimo. Cinco horas e meia de viagem.

Vou saber de cor o mapa de Ribeirão Preto. Já vamos iniciar a sétima volta. Ou será a décima? Não sei. Já perdi a conta. Consigo identificar o estádio, avenidas, praças. Quase uma hora dando voltas como um urubu. É culpa do tal seqüenciamento. Tem uma fila para pousar em Congonhas.

Senhores passageiros, aqui quem fala é o comandante, obrigado pela paciência. O que mais ele falou? Não ouvi. O som é ruim. Por que as pessoas estão reclamando? Ele disse que Congonhas fechou e que teremos que pousar em Guarulhos. Ah, que ótimo. Que horas? Não sei.

Meia hora. Esteira D. Por que as malas não chegam? Quase uma da madrugada. As malas não chegam. A esteira é essa mesmo? As malas não chegam. Eu quero dormir. Ah, as malas.

Não senhor, o ônibus não pode parar no meio do caminho. Nós somos uma empresa terceirizada. O contrato é para levar os passageiros até Congonhas. O senhor pode falar com o motorista, se o senhor estiver sem bagagem ele talvez possa parar.

Não. Não vai dar. Vou pela Vinte e Três de Maio. Não dá para parar. Não posso assumir o risco, você me entende? Claro.

Congonhas, São Paulo. 15 graus, 1h55. Aeroporto fechado. Brasília a São Paulo, 8 horas. Cai uma chuva fina e constante. As pessoas esperam na fila do táxi. Esqueceram de colocar o tapete vermelho.

21.7.07

Lançamentos

Eu li Virgínia Berlim, de Luís Biajoni. É ótimo. Escrevi um post mas acabei não publicando. Vou publicar na semana que vem junto com outro post inédito que escrevi há séculos sobre outro e-book (um livro de contos) de Alex Castro. Hoje tem lançamento em São Paulo de três livros, dois do Alex e um do Biajoni. Um dos livros é intangível, mas vai ser lançado mesmo assim. Apesar de intangível é legível. Você pode assistir ao trailer do livro lendo este blog.



Ah, também existe um trailer de Virgínia Berlim, que foi escrito como um livro mas que ao ser lido flui como um filme ou uma peça de teatro. E que tem uma ótima trilha sonora!

Ainda não li as crônicas cubanas - o tal livro intangível, que Alex escreveu durante uma viagem a Cuba no mês passado. As crônicas libertinas são ótimas. O livro é uma boa introdução ao blog Liberal Libertário Libertino, que tem várias outras pérolas nunca publicadas como As Prisões.

16.7.07

A Esfinge

Dizem que os egípcios construíram a Esfinge inspirados nas estrelas. Não sei de onde veio essa teoria. Acho que vi em algum programa de televisão. Essas teorias geralmente se baseiam mais em suposições e imaginação que em fatos, já que não há como ter certeza de nada, mas é divertido imaginar que possa ser verdade.

Usando o Starry Night (software que simula o céu como um planetário) consegui voltar ao passado, perto do ano 5000 a.C. e, situando-me na cidade do Cairo, assistir à constelação de Leão nascer no leste.

Qualquer um pode ligar os pontinhos e imaginar as constelações que bem entender, e diferentes civilizações interligaram as estrelas de forma bem diversa, mas a figura tradicional do Leão é uma das constelações retratadas em mapas astronômicos egípcios desde 4200 a.C.

Então, supondo que os egípcios ligavam os pontinhos da forma como ainda fazemos hoje, podemos imaginar a esfinge, de perfil, nascendo no leste, às margens do rio Nilo (passe o mouse sobre a imagem abaixo se não conseguir).


Imagem gerada pelo Starry Night Digital Download 6

E onde está a constelação de Leão hoje? Com o Sol em Gêmeos, o céu ainda está claro quando Leão está se pondo. Procure-o após o por do Sol, com o rosto da esfinge voltado para o horizonte.

Se você estiver em São Paulo, desista. A chuva por aqui não parece que vai dar trégua. Se hoje à noite você estiver em algum lugar com céu aberto, procure a Lua crescente no oeste após o por do Sol. Perto dela estão dois planetas: Vênus e Saturno, todos à esquerda da esfinge. Veja na imagem abaixo (a figura da esfinge está virada com o rosto olhando para baixo.)


Lua, Vênus, Saturno, Lua e a Esfinge, hoje, após o por do Sol. Clique para ver uma imagem ampliada.

Não deu para ver por causa das nuvens? Tente de novo amanhã (e depois). Amanhã a Lua já estará em outro lugar, e Vênus terá se movido um pouco, mas muito pouco. Todos os dias, porém, o Leão irá se por mais cedo até que em algumas semanas não será mais visível por estar muito próximo ao Sol.


Lua, Vênus, Saturno, Lua e a Esfinge, no dia 17, após o por do Sol. Clique para ver uma imagem ampliada.

Amanhã estarei em Brasília, onde as nuvens são raras, e vou tentar fotografar Saturno com um telescópio. A imagem abaixo mostra como Saturno deve aparecer no céu de Brasília, visto através de um telescópio com aumento de cerca de 120 vezes.


Imagem gerada no Starry Night Digital Download 6

12.7.07

É muito sério


Imagem: agência O Globo.

O técnico da seleção brasileira de arremesso de havaianas e seus doze atletas desembarcaram às 18 horas e dez minutos no aeroporto de Reykjavik, na Islândia. Eles foram selecionados para representar o Brasil no Campeonato Internacional de Arremesso de Calçados que aconteceria por lá. Era março e estava muito frio. A média estava em torno de seis graus negativos. Mas para os atletas estava mais frio ainda, pois era verão no Brasil.

O técnico e seis atletas chegaram primeiro no hotel, e dirigiram-se a uma sala aquecida onde fariam uma reunião e dariam entrevistas antes de descansar. Enquanto esperavam os outros, ficaram conversando e fazendo piadas sobre o frio.

– Nossa, isto aqui está uma Sibéria – comentou o técnico.

Todos riram. Os outros chegariam em breve, e o técnico, para saudá-los de forma bem-humorada, escreveu no quadro branco que havia na sala, “Bem vindos à Sibéria”.

Foi um escândalo. Jornalistas entraram na sala e viram o quadro. Tiraram fotos. Muitas pessoas apareceram e houve um tumulto na entrada. A entrevista acabou ficando para o dia seguinte. Mas, na manhã do dia seguinte jornais de todo o país estampavam na primeira página uma foto do quadro e do técnico. Políticos e autoridades locais se manifestaram contra a atitude do técnico:

– "É uma afronta. Um absurdo! Mas como ousam comparar-nos àqueles bárbaros siberianos? Nós somos sérios. Isto é um país sério." – Hagar Terribilis, juiz aposentado.

– Quem eles pensam que são? Só porque são campeões mundiais em arremesso de sapatos acham que são melhores? É isto? – Hans Ikikurrah, engenheiro.

Não adiantou o técnico explicar que era apenas uma brincadeira. Mas ele percebeu que havia cometido uma gafe diplomática. Pediu desculpas aos islandeses e se defendeu dizendo que não teve a intenção de ofendê-los. Era uma piada por causa do frio intenso que fazia lá fora.

– Ora, que desculpa esfarrapada! – comentou uma mulher – Frio? Que frio? Seis graus abaixo de zero? Faça me o favor! Ele escreveu isto dentro do hotel que é climatizado! Agora ele está atrás de uma desculpa para se safar!

O prefeito percebeu a gravidade da situação e fez uma declaração pública à imprensa:

– Foi uma declaração infeliz. Qualquer um sabe que somos muito diferentes da Sibéria. Nada contra a Sibéria, claro, um país bonito, de um povo honrado, nômade, descendentes dos grandes mongóis, mas a comparação foi irresponsável e revelou algum preconceito. Senso de humor é bom, mas tem limites.

O técnico ainda tentou defender-se através da mídia:

- Preconceito? Onde? Contra os imigrantes orientais? Eu juro que não fiz comparação alguma. Era uma piada, já disse. Mas, e se fosse uma comparação? Eu não sabia que era uma ofensa fazer comparações assim. Aqui também não há planícies e lagos frios como na Sibéria? E eu gosto daqui! Não ligo para o frio. Eu sempre quis conhecer a Islândia.

Temendo que o episódio causasse um desgaste nas relações entre os dois países, a CBAC – Confederação Brasileira de Arremesso de Calçados achou melhor afastar o técnico e enviar um substituto. O prefeito da cidade aplaudiu a decisão, e autoridades de ambos os países trocaram elogios. Tudo voltou ao normal e o evento foi um grande sucesso.

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8.7.07

Gôndolas



Sonhei outra vez com Mustaphá Smith numa tarde quente do dia sete de sete de dois mil e sete. Estávamos em uma minúscula gôndola verde, ele de um lado e eu do outro. Ninguém remava. A gôndola era levada pela correnteza. Mustaphá tinha três dentes, barba grisalha e olhos grandes. Desta vez ele não estava de turbante. Usava um quepe de oficial russo e vestia-se em pele de urso como um guerreiro esquimó. Sorrindo, cantava cantos armênios, mongóis, americanos e russos, misturando Karabushka com When The Saints Go Marching In e batendo os pés no barco com força ao ritmo do seu canto. Vez ou outra parava de cantar, olhava para mim e fazia sons de chuva com seus lábios secos. Às vezes parava bruscamente e gritava meia dúzia de frases incompreensíveis, ria alto e voltava a cantar. Como sempre, mesmo quando me olhava, agia como se me ignorasse, como se eu não existisse.

Eu tinha um sombreiro imenso sobre a minha cabeça, que impedia que eu olhasse para cima. Não havia muito para ver. Era só céu e mar. Nenhuma nuvem. Acima deveria estar o Sol. Na minha frente apenas Mustaphá, a gôndola e o mar.

Mas a gôndola parou no centro do oceano, no ponto mais distante de todas as costas, e quando isto aconteceu, ela tornou-se o mar. Não havia mais gôndola e nem Mustaphá, apenas um sombreiro colorido flutuando no meio do mar, que na verdade eu só percebi ao olhar para o alto e não achar o Sol, mas uma sombra circular num mar azul brilhante. O riso histérico de Mustaphá ecoava nas bolhas que subiam da minha garganta que se enchia de água salgada.

Acordei às sete horas e já era noite. Levantei-me e fui até a porta mas não consegui abri-la pois estava trancada. Abri a janela e procurei pela paisagem da cidade, mas ela não se movia e parecia pintada. Ainda sonhava. Precisava acordar. Corri, pulei e joguei-me contra a parede. Fiz cálculos complexos de cabeça. Eu tentava voar quando ouvi um riso vindo da sala. A porta do quarto estava entreaberta e eu saí. Na sala havia uma mesa, coberta por uma toalha branca e um castiçal de quatro velas ao centro. A toalha branca e tinha desenhos azuis de carneirinhos e umas vinte e poucas taças de tamanhos diferentes contendo líquidos coloridos. Havia alguém sentado do outro lado. As velas não deixavam ver o rosto, apenas as mãos escuras e ressecadas que desenhavam com um lápis de cera vermelho na toalha da mesa. Desenhava o que parecia um lobo.

Sentei-me do lado oposto da mesa, e ele não falou nada. Apenas ria baixinho, como se estivesse tendo uma crise e não conseguisse parar de rir. Bebi um pouco da taça roxa (parecia uva mas na verdade era tamarindo.) Mustaphá (sim, devia ser ele mas nunca tive certeza) começou a rir bem alto, e os carneirinhos começaram a correr. Eles berravam, corriam e a mesa tremia. O lobo devorava um a um com violência, derrubando as taças e manchando a toalha de sangue que escorria para o chão. Em poucos minutos a sala inteira estava submersa em sangue. Agarrei-me à mesa para não me afogar, mas a toalha cedeu. Sobre a mesa quatro anões de sombreiro cantavam músicas mexicanas e quando eu puxei a toalha, os quatro caíram e se afogaram (ou morreram eletrocutados por seus microfones, pois houve um curto-circuito.) Permaneceram os quatro sombreiros flutuando sobre o sangue. Eu fiquei observando e senti os pingos. Era a chuva. Começou a chover forte. Em poucos minutos ela havia levado embora todo o sangue e a sala estava limpa.

No centro do mar, agora, há uma gôndola. Dentro dela dorme uma mulher nua, de lado, abraçada a um travesseiro em posição fetal, protegida do frio por uma pele de urso. Ela tem pele clara, cabelos negros, lisos e traços orientais. Ela sonha. Ao lado da gôndola há um sombreiro colorido flutuando sobre a água. Está claro mas o dia ainda vai nascer. Sentado na mesa da sala eu observo a paisagem da cidade. O castiçal tem apenas duas velas, e elas estão apagadas. Tento fazer sons de chuva com meus lábios enquanto imagino carneiros roxos no vinho derramado sobre a toalha da mesa.

1.7.07

Setes



Sonhei com sete sagüis. Sete micos. Eu tinha que cuidar deles, mas eles não paravam. Pulavam para todo lado. Saíam pela janela e me deixavam louco. Quando eu tentava me aproximar eles me mordiam. Era uma sala de aula. Talvez os sagüis fossem alunos. Não lembro, era apenas um sonho. Eu só tinha uma certeza: eram sete.

Acordei no primeiro sol do mês sete, de dois mil e sete. E fiquei a pensar em setes, nos sete micos, nos sete samurais, nos sete anões e nas sete cabeças da besta. Depois das trombetas vieram os sete dias. Em sete dias a data será sete, de sete, de sete. Muito sete. Até que ficam esteticamente belas, em traços arábicos, as datas do mês sete: 07/07/07, por exemplo, cai no sábado, o dia sete, sagrado. Mas também tem o dia 20/07/2007, uma sexta-feira (eu ainda prefiro a sexta-feira 13, do sete, do sete). Se é festa que cai no sábado, dia 21, e é uma festa de geeks, deve começar às sete horas do dia 07+07+07/07/07.

Mas os planetas já não são mais sete, e nem nove, as sete quedas não mais existem e tenho dúvidas se há mesmo sete continentes, ou sete mares, ou se foram apenas sete contra Tebas, e não nove. O mes sete já foi cinco, antes de César, e o ano dois mil e sete talvez seja dois mil e dezessete. Eu conto sete micos, mas há máquinas que contam sete como 13, e outras que só falam 111, mas os micos são sete (tenho certeza). Eu contei.

O que eu nunca entendi é porque os gatos no Brasil têm apenas sete vidas. É uma injustiça. Nos países desenvolvidos eles têm nove.