25.12.06

O Blogger é o Grinch

Não publiquei as historinhas assustadoras de Natal porque o Blogger não deixou. O Blogger.com migrou (ou está migrando) para uma nova versão, e no último dia 25 eu converti o sistema antigo para o novo, que até então era chamado Beta (não é mais.) Não foi o melhor dia e hora para fazer isto. Os programas devem ter confundido meu usuário e senha do Google com os dados do Blogger, e me vetaram a entrada. Passei uns dias sem acesso mas agora tudo (aparentemente) está normal.

Mas não vou publicar nada hoje (tenho que pegar um ônibus para o litoral). O destino não quis que eu assombrasse o Natal de 2006, mas estarei de volta em 2007 com mais viagens.

17.12.06

Somente hoje



Haverá mais um ensaio aberto da peça Prólogo no Bunker, inspirada em Sonho de uma Noite de Verão de Shakespeare, e produzida pelo Núcleo Experimental dos Satyros.

Direção: Roberto Audio
Elenco: Alessandra Souza, Andressa Cabral, Ana Lucia Felipe, Ana Karina Linhares, Ana Pereira dos Santos, Angela Ribeiro, Fabiana Souza, Helder da Rocha, Luis Paulo Maeda, Peterson Ramos, Ricardo Socalschi, Teka Romualdo, Thammy Alonso, Wagner Mendonça, Wanderley Firmino, Washington Calegari.

Domingo 17 de dezembro, às 23 horas, no Espaço dos Satyros 2 (Praça Roosevelt, 124). (11) 3258-6345. Capacidade: 60 pessoas. Duração aproximada: 1 hora.

7.12.06

Succubus



Era uma tarde de chuva, e eu estava sozinho em casa lendo um livro de Umberto Eco (que nunca terminei) quando algo me distraiu. A princípio não vi nada nem ninguém. Veio como apenas uma palavra. Não lembro se foi uma palavra vista, ou ouvida, ou simplesmente pensada.

- Olá!

Acho que depois vieram outras palavras, tanto que não foi possível continuar a leitura. Surgiram imagens, cartas inteiras, lembranças inexistentes, um eclipse do Sol e um ônibus viajando por estradas esburacadas numa madrugada chuvosa. Com tanta informação acho que adormeci e quando acordei já era noite. Ela estava lá, em pé na varanda observando a paisagem. Eu a vi de costas. Tinha cabelos loiros e as costas nuas. Acho que usava um corset e uma saia longa, brancos. O vento movia a saia e os cabelos. Parecia uma miragem. Ela percebeu que eu a observava, e sem se mover me chamou.

- Venha, vamos ver as estrelas!

- As estrelas?

Não lembro se falei ou se pensei, mas ela respondeu mesmo assim.

- Sim. Foi você que me falou delas, lembra?

Não lembrava. Lembrava que já havia falado de estrelas, mas não lembro de ter falado para ela. Eu não lembrava dela. Parecia alguém familiar, mas não lembrava.

- Não fique aí parado. Venha!

A preguiça era imensa, mas eu fui. Lembro quando cheguei na varanda e virei o rosto para olhá-la. Ela me olhou de volta. Era linda. Não consegui desviar o olhar. Não queria desviar. Não queria mais nada. Talvez por ter me ofuscado eu tenha fechado os olhos, mas então ela me abraçou e eu deixei-me encantar. Explorei suas curvas, abracei suas costas, deslizei sobre suas pernas e em algum momento escorregamos. Fizemos amor em queda livre e não lembro como terminou.

Acordei diante do mar. Estava claro. A luz era a luz de luar. A brisa era morna e a areia estava quente. Eu estava nu e ela ainda escorregava sobre minha pele como se fosse parte de mim.

- Hélio.

Ela me chamava de Sol. Não tinha pensado nisto. Mas como ela parecia lunar! Tinha uma luz azul, clara, suave. Me seduzia da forma mais sutil e preenchia todos os horizontes. Me tirou do meu cubículo e me trouxe para este universo vasto e sem limites.

- Hélio!

Mas a luz era pouca. Eu achava pouca. Imenso era o céu, mas a luz era de luar. A luz vinha dela e ela parecia estar em todos os lugares, em todas as estrelas, em todos os reflexos. Por um instante tentei me mexer, e senti sua pele outra vez. Tive uma breve asfixia e quis acordar.

- Hélio.

Me levantei e senti as mãos escorrendo pelas minhas costas. Novamente me senti preso. Olhei para o mar e vi seus olhos, senti o cheiro do mar e ouvi a brisa dizer:

- Hélio.

Isto começou a me incomodar profundamente. Ela estava em todos os lugares, ocupava o universo, e a luz azulada que não me nutria estava sugando minhas energias. Comecei a achar que estava sendo consumido. Tentei de todas as formas acordar mas foi em vão. Esperneei. Tentei gritar.

- Hélio.

- Não! - gritei, e me afastei dela.

Ela me olhou assustada sem entender, e não disse nada. Parecia uma criança. Me olhou de novo com aqueles olhos e parecia querer se aproximar.

- Não! Eu não sou o Sol! Não sou! Não quero! Não sou quem você procura!

Ela apagou-se. A brisa do mar mudou tornando-se vento e nuvens começaram a cobrir as estrelas. Seu olhar agora refletia tristeza. Fiquei com pena. Quase me arrependi do que disse. Ela não falou nada. Apenas me olhou, fechou os olhos, e quando abriu novamente, sorriu. Lágrimas desceram dos dois olhos. Quis abraçá-la naquele momento; achei que talvez estivesse errado, mas as nuvens finalmente cobriram o céu e logo começou a chover forte. Corremos para debaixo da árvore, mas ela não me olhou mais. Encarou o mar e a chuva que caia sobre as ondas. Sem se virar, ela me disse:

- Feche os olhos.

Eu obedeci. Então fez-se silêncio. Acho que adormeci. Quando acordei já eram dez horas da manhã. Estava atrasado e exausto. Não iria chegar a tempo. Peguei um trânsito infernal. Foi um dia péssimo.

2.12.06

Vista o corpo de espinhos



Domingo (amanhã) eu farei minha última participação como ator na peça Vestir o Corpo de Espinhos, que está em cartaz no Espaço dos Satyros I. A peça voltou depois que retornamos da Alemanha mas com outro elenco e minha participação normalmente resume-se à executar parte da trilha sonora em acordeón e piano. Mas domingo irei subtituir um ator e atuar em três cenas da peça representando uma das personagens que criei no texto Crepúsculo (que agora faz parte do texto da peça, criado coletivamente). Quem quiser e puder ir, me avise ou ligue para os Satyros para garantir lugar (o teatro é pequeno, a disposição dos assentos foi alterada e cabem apenas 40 pessoas).

É uma pessa impressionista. Eu já escrevi sobre ela neste outro post. As imagens acima são do vídeo da peça gravado por Carlos Ebert, com o elenco original, que foi usado para nossa inscrição no festival Play-off/06, na Alemanha.

Vestir o Corpo de Espinhos
Domingos, dia 3 e 10, 18h.
Espaço dos Satyros 1. Praça Roosevelt, 214. (11) 3258-6345.
R$ 20 (desconto de 50% para estudantes).
Duração aproximada: 40 minutos.
Estacionamento em frente ao teatro.

Ficha Técnica:
Elenco: Ana Karina Linhares, Ana Lúcia Felipe, Ana Pereira dos Santos, Andressa Cabral, Angela Ribeiro, Fabiana Souza, Helder da Rocha, Paulo Maeda, Peterson Ramos, Ricardo Socalschi, Teka Romualdo, Wagner Mendonça, Wanderley Safir, Washington Calegari.
Texto: Criação coletiva.
Dramaturgia e figurino: Núcleo Experimental dos Satyros, Rita Fernandes e Regina Ciampi.
Piano, acordeón e trilha sonora original: Helder da Rocha
Direção: Alberto Guzik
Cenários e objetos de cena: Fabiana Souza, Rita Fernandes, Helder da Rocha e Regina Ciampi.
Produção visual: Angela Ribeiro.
Operador de Luz: Peterson Ramos
Operador de som: Andressa Cabral