23.4.06

Picadinho



Ela trabalhava numa empresa alimentícia que comercializava aveia. Um certo dia, entrou um homem na empresa para cobrar uma dívida. Ele entrou e foi direto ao gabinete da diretora - uma viúva russa que herdara a empresa do marido. Ela, assistente da diretora, foi encarregada de tirá-lo de lá. Mas o homem resistiu. Foi grosso e não saía de jeito nenhum. Antes que ela pudesse chamar a segurança, percebeu a diretora aos beijos com o invasor, e desistiu.

Mas o beijo fora planejado. Era golpe baixo; estratégia de guerra. Era teatro. Era falso. A diretora cedeu. A dívida foi paga. E ele não a procurou mais.

Mas ele quis voltar. Não por causa da diretora. Quis voltar por causa dela, a assistente. Sentira prazer quando ela tentava empurrá-lo para fora. Era quase sexual o prazer de xingá-la, de ameaçá-la. Prometera fazer dela um picadinho, e sonhava com isto. Ele, que era descendente de canibais potiguaras ou caetés, ficava excitado só em lembrar.

Talvez tenha começado no aeroporto. O aeroporto estava fechado por ameaça de terrorismo. Um homem que esperava o vôo retornou para sua casa e encontrou sua esposa com o amante na cama. Abriu a torneira de gás, e saiu sem rumo. Chorou no banco da praça quando ouviu a explosão. Desapareceu por trás do palco. E como se tudo fosse apenas teatro, reapareceu sorridente na quitanda. Ela estava lá. Já não era assistente de diretora. Mas era ela. Eles se olharam, se confundiram, e o carro dela encontrou um poste na saída.

No outro dia, ele a procurou e encontrou novamente na mesma quitanda. Desta vez não apenas se olharam. Não falaram. Esqueceram o espaço e se beijaram, intensamente, e se desenharam.

E ele, que ainda amava outra com obsessão insana, começou a ser suavemente conquistado. O indecifrável fluía sem palavras, sem entendimentos, como se tudo estivesse certo. Descobriam-se como se estivessem desvendando algum mistério, sem pensar sobre o que estavam fazendo nem para onde estavam indo. Agiam como sonhadores, até que se perguntou o que era tudo aquilo. O que estava acontecendo?

Talvez tenha sido a capivara, ou o excesso de pessoas na noite de dezembro. Foi nesse dia que a peça terminou. Ele era um ser estranho, esquisito. Vivia numa ruína, de caixas cheias de livros, velas e castiçais. Não era uma casa. Era somente um espaço de paredes e chão. Ela quis conhecer o lugar, e ele a levou sem esperar. Ao chegar, com as roupas já no chão, tornou-se ele o personagem que era, e cumpriu a esperada promessa. Não era cena, era real. Os corações se aceleraram e o calor aumentou. A lâmina entrou fundo, penetrando pelo corte vertical. Um líquido quente escorreu pelos lados, e ela gritou. Mas não havia ninguém para ouvir. Como havia prometido, ele fez dela um picadinho. Partiu-a em milhares de pedacinhos. Depois comeu tudo e não deixou nadinha.

18.4.06

O retrato de Rosa



Era uma tarde muito quente; tão quente que parecia que o tempo havia parado. Nada se mexia. Não havia brisa nem vento. Ao lado da porta havia um cão morto. Talvez não estivesse morto, mas parecia. Não se mexia. A porta estava fechada. A porta e todas as janelas da casa. Ele bateu três vezes.

Depois das três batidas houve um silêncio profundo. O cão não se mexeu. Nem as folhas do umbuzeiro, nem as flores dos cactos. Geralmente nesses cariris há galinhas; pelo menos bodes. Não havia galinhas; e nem bodes. Só um cão estirado estirado na areia quente que parecia morto.

– Ô de casa! – ele gritou, e bateu palmas sete vezes. – Talvez estejam dormindo, como o cão – pensou. – Está muito quente. O ar não se move. A preguiça é infinita. Não seria muito improvável que estivessem dormindo, pois era uma tarde muito quente.

Depois do grito e das sete palmas o silêncio retornou. Desta vez parecia mais profundo, pois nem o eco ele foi capaz de manter na memória. Até esqueceu que havia batido na porta três vezes, do ô de casa e das sete palmas. Era como se tivesse sonhado, mas não como se tivesse feito. Talvez não tivesse feito nada mesmo. Então repetiu tudo outra vez: as três batidas, – Ô de casa! – e as sete palmas.

Desta vez, diferente das outras vezes, o silêncio não ficou mais profundo. Mas o eco de tudo repetido reverberava na memória de forma sinistra. As batidas pareciam estrondos, o grito parecia dizer outra coisa, e as palmas pareciam pancadas na água. Sentiu um cheiro forte, de sangue ou de brisa úmida, como se estivesse diante de um rio. Mas não havia rio algum. E não havia brisa.

A pele do cão mexia-se, como para livrar-se das moscas que ele não conseguia ver, e pôde perceber que respirava. Mas o cão não teve a coragem de sequer abrir um olho para saber quem batia naquela porta.

O silêncio continuava e o tempo parecia não passar. Finalmente ele rendeu-se e sentou-se na soleira da porta. Alisou a cabeça do cão que parecia morto, que pareceu gostar porém não teve ainda a coragem de abrir um olho qualquer, nem mesmo mexer a orelha. Contemplou o horizonte e lamentou, por um instante, que o tempo tivesse parado para o mundo inteiro, mas que ele precisasse sentir cada segundo que passava. Estava muito quente. Ouviu vozes, pessoas correndo. Era miragem. Sentou-se e talvez tenha adormecido.

É provável que tenha mesmo adormecido, pois quando tomou consciência de si, o cão já não estava mais lá. O Sol já havia baixado bastante, embora ainda estivesse muito quente e claro. Por um instante sentiu frio nas suas costas molhadas. O cão não estava mais. Era tão incrível que chegou a pensar que o cão nunca estivera. Não era verdade. Lá estava o cachorro estirado diante da porteira, com o pescoço colado no chão duro. Parecia morto, como da primeira vez.

É provável que tenha adormecido outra vez, pois na segunda vez que tomou consciência de si foi ao ouvir alguém tentando abrir o trinco da porta. Agora já anoitecia e era difícil distinguir o que se via. Mas lá estava o cão bem vivo e alegre balançando o rabo diante dele como se fosse conhecido. Levantou-se rapidamente e ficou de pé, diante da casa, esperando que abrissem a porta. Ouviu estalos, as duas metades se abriram por igual, e ela apareceu.

– Pois não? – falou a simpática senhora gorda que o encarava com olhos semicerrados. – O que o senhor deseja?

Ele não sabia. Havia esquecido. Quanto mais pensava, mais improvável parecia o lugar, o cachorro, o calor, a senhora gorda, o cheiro da brisa que não havia. E ficou em silêncio.

Mas algo o incomodava na garganta. Queria falar. Tinha algo para falar. Sabia o que era, mas não sabia. Era como se a idéia não viesse de dentro. Uma coceira na garganta.

– Valdecir.

Quem era Valdecir? Nunca ouvira falar. Mas, porque perguntava isto. Quis olhar para o lado, mas não conseguiu. Buscou na mente palavras mais certas, mais precisas, mas elas não se encaixavam. Começou a ficar tonto. Sentiu alguém lhe apertar a mão molhada, uma pancada na cabeça, um arranhão. Muita dor. Não. Era outra ilusão. Estava tudo calmo, e a senhora gorda sorria. A garganta ardia, como se tivesse bebido gasolina, mas ela falou antes.

– Valdecir não está, meu filho. Ele viajou. Volta amanhã. Se quiser esperar, fique à vontade. Você vem de longe? Seja bem-vindo. Como é seu nome? Não quer entrar?

Na verdade, tinha vontade de perguntar o que estava acontecendo, o que era absurdo. Por que ela saberia? Mas sua boca não lhe obedecia. A garganta doía e parecia estar entupida. Sentia como estivesse se afogando, mas alguém puxou a sua mão.

– Rosa?

Foi a única coisa que pronunciou.

– Sou eu! – ela respondeu sorrindo, quase rindo – O senhor conhece Valdecir?

O cachorro sentou-se aos seus pés e continuou a abanar o rabo feliz. A sensação era de quem volta para casa depois de uma longa viagem. Ele a conhecia; tinha certeza. Queria dizer alguma coisa, mas só conseguia falar com os olhos.

E ela entendeu. Seja o que foi que ele falou através do olhar, ela entendeu e não falou mais uma palavra. Os dois se abraçaram e ela chorou. Ele, ainda confuso, deixou-se levar por aquele momento e chorou junto, com sinceridade, como se fosse despedida.

Não lembro quanto tempo permaneci assim. Em algum momento, certamente devo ter adormecido, pois quando acordei, não havia mais nada.

O gosto do rio ficou mais intenso, mas meus lábios ainda tinham gosto de sangue. Senti minhas costas de novo molhadas. O corpo inteiro doía e minha garganta ardia. Ouvi vozes de pessoas correndo e som de água caindo. Cheiro de gasolina. Não era sonho. Abri os olhos e vi o céu.

– Você está bem, meu filho?

Era minha mãe, me olhando do alto. Parecia. Não, não era minha mãe. Era sonho. Som de serra elétrica. De um lado, no alto, a ponte com a guia quebrada. Do outro o ônibus virado na água. Alguém me levantou pelas pernas e pelo braço, e depois fui virado de lado, numa maca dura. Lá estava ele, com seu rosto olhando para mim. Os olhos fechados. A pela rachada. Seu bigode sujo de lama parecia sorrir, silenciosamente, me dizendo adeus. Naquela mão fria a vida não mais existia. Mas na minha mão havia um retrato. Era o retrato de Rosa.

13.4.06

A palavra que não encontro


In the beginning was the word, the word
That from the solid bases of the light
Abstracted all the letters of the void;
And from the cloudy bases of the breath
The world flowed up, translating to the heart
First characters of birth and death.
(Dylan Thomas, In the Beginning)
Ela foge porque odeia a definição. Não adianta procurar. A mente é muito vasta e os sons infinitos. Essa roupa ela não quer vestir. Não vai. É melhor esquecer; tomar um café, caminhar. Pensar mais só ajuda a afastá-la. O som não corresponde. A forma está errada. A imagem é distorcida. É suave onde deveria ser dura e áspera onde deveria ser lisa. Não tem cheiro. Não arranha. Não cabe.

Ah, mas é lei. Está escrita, estática, em traços mortos, claramente, no vocabulário da academia. Se a lei exige, o que fazer? Não tem como escapar. Tem que aceitar. Até porque está lá, impressa e classificada. Não se pode inventar outra sem justificativa racional. Se existe, é para ser usada. Não lembra? Vai lá procurar!

Mas se tentares lembrar, assim, na hora, no repente, no desamparo, não terás chance. Tomara que esqueças a ordem das letras, que tropeces nos sons semelhantes. De onde veio esta coisa? Não nasceu da fala humana. Parece obra de burocrata. Talvez de escrita estrangeira impondo-se à voz. Por que é tão grande? Por que é tão feia. Vai, escolhe outra. Inventa! Não muda de idioma. Arranja outra abstração. A luz tem base sólida, é natural, é intensa, é verdadeira. Não sacrifiques o essencial. Ao poeta, só interessa o essencial. O essencial é invisível às letras, que são apenas fantoches, talvez iscas, talvez nada. Agora é a hora de criá-la, inventá-la a partir do nada. Deixa que ela te possua, revelando seu ritmo no sopro vital e traduzindo-se ao teu coração, e com sangue pulsante escreva sua morte, dando-lhe a vida.

10.4.06

Ensaios sobre a nudez



Isto é uma revelação. Inútil, talvez. Excessiva exposição. Talvez não. Vou publicar, por embriaguez. E já que você está lendo, considere-me humano, sensível, confuso e honesto. Considere-me vivo. Considere-me bom. Sou uma criança de 37 anos. Amo a vida, amo meus pais, meus amigos, minhas mulheres. Não acredito que exista quem saiba como se vive no mundo, quem tenha tido acesso às instruções de uso. Eu não ligo muito para isto, mas me interesso em tentar descobrir, mesmo que não faça sentido para ninguém mais. Eu acho que existem leis na natureza, mas ninguém as conhece. Não creio que elas estejam escritas em algum livro, muito menos reveladas em palavras a algum iluminado, e se foram, só servem para ele. Nós criamos teorias sobre elas, e isto é o mais próximo que conseguimos chegar. Eu tenho um corpo. É assim que percebo. E meu corpo interage com o mundo e me causa sensações. Eu tenho uma mente, que talvez só exista no corpo, mas que é capaz de pensar sobre ela mesma, dando a impressão que é algo além do corpo. Talvez seja. Talvez não. Eu não sei a verdade e tenho certeza que você não sabe. E isto não me importa. Isto não faz diferença. Isto não vai fazer o mundo melhor. O que pode fazer o mundo melhor é o que você acredita que é sua verdade, e o que eu acredito que é a minha. Minha verdade, nas suas questões mais profundas, dificilmente será a mesma que a sua. Só podemos concordar com o que vemos, com o que sentimos, com o que medimos. Nosso deus é pessoal. Se é o mesmo para todos, assim podemos até crer, mas nunca podemos argumentar.

Pois eu tenho uma mente e não posso impedi-la de pensar. Eu tenho um corpo e não posso impedi-lo de descobrir-se, de se tocar, de querer tocar os outros. Eu vivo num mundo e desejo decifrá-lo, e para isto busco explorar seus limites. Seus limites estão, talvez, nos limites dos outros vivos, nas forças da natureza, na gravidade, no preço de viver em sociedade, nos costumes, nas autoridades, no dinheiro, nos riscos, nas fatalidades. A ética do mundo me deprime, às vezes, mas às vezes me enche de vida. É contradição? Não sei. Sou ignorante. Às vezes quero ser. Mas geralmente sinto incontrolável vontade de não ficar quieto. Interesso-me por tudo. Uma faísca pode causar um incêndio. Uma faísca acidental pode nortear uma vida, ou destrui-la. Sou inconstante? Não sei. O que é ser constante? Pedras são constantes? Bichos deveriam ser? Eu sou um bicho. E se for melhor para a saúde dos bichos que eles sejam inconstantes, e se for mais prazeroso, e se for mais belo, mais misterioso, provavelmente seja certo ser inconstante. Eu procurarei uma máscara, ou talvez um vidro translúcido e áspero para me adaptar ao mundo sem perder a identidade.

Identidade. Certeza. Palavras surgem nas frases sem que eu tenha tempo de entendê-las. Essas duas eu também não entendo. E eu sei que escrever não ajuda tanto, só piora. Se o mundo fosse governado pela razão, pelas palavras, não haveria necessidade de escrever. As palavras são ocas, esponjosas, e qualquer coisa que passar por elas, boa ou ruim, doce ou amarga, imaculada ou podre, penetra nelas, deixando-as impregnadas.

Eu escrevo isto para quem puder me ver como um animal. Humano. Eu vou me despir. De perto você não me achará normal, assim como de perto eu não vou encontrar a pessoa que você é. Ninguém chega tão perto. Ficamos à distâncias adequadas. Geralmente ficamos mais distantes que o adequado, e talvez por isso sejamos tão infelizes, tão solitários. Eu tenho uma imagem sua. Meu amigo, minha irmã, minha mãe, meu pai, meu irmão, minha amiga, minha namorada, meu conhecido, meu colega. Você tem uma imagem minha. Cada um de vocês tem uma imagem diferente. E eu, tenho uma imagem minha também, e que não sou eu. Eu tenho muitas imagens. São teorias sobre quem eu sou. De vez em quando, rasga uma cortina, ou cai um penhasco, e minhas teorias desmoronam.

Mas eu ainda não escrevi o que eu queria escrever. Talvez hoje não seja o dia. Hoje estou feliz, e as coisas estão claras demais. A chave abriu mais portas do que eu imaginei que pudessem existir. Ainda estou acostumando a vista. Desisti de me despir. Tem luz demais. Isto não é um diário. É um jornal. Aqui tudo é ficção. E o idioma não é adequado.

7.4.06

I lost my Sputnik

Only letters; count them, but forget spaces

I have lost my beloved Sputnik
In the vast journey of my life.
All is dark. While love slides away
I wander alone in the void.

4.4.06

Ainda o Eclipse

"Um poeta é um cara que vê um raio cair numa noite de inverno: ele pega um lápis e um papel e desenha o que viu: um ziguezague cheio de ramificações. É o raio. As pessoas olham aquilo que ele fez e dizem: 'Que bonito!', e o poeta balança a cabeça e diz, 'Que bonito que nada, o que eu vi era muito mais bonito do que isso.'"
(Braulio Tavares, Os Martelos de Trupizupe, Edições Engenho de Arte, Natal, 2004)
Relatar algo como um eclipse deve ser como escrever um poema. Por melhor que seja a narrativa, por mais belas que sejam as fotos, é apenas uma impressão do que foi visto. Eu não estava pensando em escrever mais outro artigo sobre o eclipse (este é o terceiro seguido) mas tenho novidades que valem a pena compartilhar.

Vídeo do eclipse

Depois que eu publiquei o post anterior recebi a informação de que Lucas Medeiros, que estava no nosso grupo que viajou para Tabatinga, havia gravado vídeos do eclipse. Eu editei as cenas e fiz um vídeo mas o arquivo ainda ficou grande. Quando eu tiver um pouco mais de tempo tentarei reduzir seu tamanho. Está em formato WMV (Windows Media), tem 25,8 MB e resolução de 640x480. Baixe-o a partir do link abaixo:
Quem assisti-lo conseguirá ter uma noção melhor do que foi o dia virar noite ao amanhecer. Não são apenas imagens, mas também os sons das pessoas, do vento e das ondas. O vídeo está mais escuro que as fotos. Se puder fazer ajustes na exibição, aumente o brilho em 20% e o contraste em 40% para ver a praia, as nuvens e outros detalhes nos momentos mais escuros.

Para quem não quiser baixar o vídeo, eu capturei 10 imagens dele que podem ser vistas a partir das miniaturas ao lado. As fotos ocorrem num período de aproximadamente dois minutos e não estão igualmente espaçadas. A escuridão da fase total durou um minuto e meio. As fotos que mostram o céu escurecendo ou clareando aconteceram com poucos segundos de intervalo.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção na hora da totalidade foi o comportamento dos animais (isto não aparece no vídeo.) Quando o dia escureceu, vários (acho que uns 40 ou 50) passarinhos que sobrevoavam a praia pousaram ao mesmo tempo na areia e ficaram andando na praia, bem perto das ondas, molhando os pés. Andavam todos juntos, fugindo das ondas. Pareciam confusos. Era algo incomum e chamou a atenção de todos. Uma menina correu na direção deles e os espantou, mas eles não voaram alto. Pousaram novamente mais adiante em outra parte da praia, e ficaram brincando de fugir das ondas. Depois que clareou eu os procurei novamente, mas eles já tinham ido embora.

Fotos de satélite

Através da lista do CASP (Clube de Astronomia de São Paulo), recebi de Valmir de Morais o link para uma animação criada a partir de fotos do satélite Meteosat-8 que mostra a sombra da Lua passando sobre a Terra. A animação foi produzida por Rick Kohrs, da universidade de Wisconsin-Madison. Não é um vídeo. É uma animação interativa. Pode-se controlar a velocidade em que as imagens são exibidas.

Há duas versões. Uma em baixa resolução e outra em alta resolução. A maior demora mais para carregar mais vale a pena. São animações em Java, portanto seu navegador deve suportar e permitir a execução de programas em Java.

A foto abaixo mostra um trecho da animação revelando a sombra da Lua sobre parte do Brasil ao amanhecer do dia 29 de março.



Outro eclipse ainda este ano

Finalmente, para os que perderam este eclipse, e para os que decidiram tornar-se caçadores de eclipses, antes de 2023 haverá um eclipse anular visível do Brasil. Será em 22 de setembro deste ano. Não irá escurecer a Terra como o de quarta-feira passada, mas será um espetáculo bastante interessante.


Simulação do eclipse sobre o rio Oiapoque, no Amapá.

O fenômeno será visível em quase todo o país na sua fase parcial. O melhor lugar para vê-lo no Brasil será no município de Oiapoque, no Amapá, que fica próximo da linha central. Acontecerá pela manhã, cerca de duas horas após o amanhecer. As fases parciais dos eclipses anulares são mais bonitas, pois a crescente do Sol encoberto é maior. A imagem ao lado ilustra como o eclipse seria visto da cidade de Oiapoque.