17.7.06

A viagem para Colônia


Vista do Reno e da ponte ferroviária Hohenzollernbrücke a partir de uma das torres da catedral de Colônia.

Colônia (Köln) fica a menos de 100km das cidades do Ruhrgebiet. Foi o único passeio que eu planejei antes da viagem. Durou poucas horas, mas o tempo foi suficiente para caminhar nas margens do Reno, visitar um museu, explorar o exterior e interior da catedral e subir os mais de 500 degraus da torre.

A viagem foi na quarta-feira, 14 de junho. Eu, Luís e Ricardo deixamos o acampamento no ônibus do evento e fomos ao teatro Flottmann-Hallen em Herne, assistir à peça do grupo da Croácia, que terminou por volta das onze da manhã. Depois da peça, pegamos o metrô para a estação central de Bochum e lá compramos uma passagem de grupo ida-e-volta até Colônia que custou €27,00.

Interior da estação central de Colônia.
 A viagem dura mais ou menos uma hora. A estação central de Colônia, localizada às margens do Reno e do lado da maior catedral gótica da Europa, fica bem no centro das atrações, o que facilita a vida de quem quer fazer uma viagem curta.

Com mais de um milhão de habitantes, Colônia é a maior cidade do estado de Nordrhine-Westfalen (e quarta maior da Alemanha). É uma das cidades mais antigas do país, tendo sido elevada ao status de município durante o império romano em 50 d.C., por ser cidade natal de Agripina, esposa do imperador Cláudio, que deu o nome da cidade: Colonia Claudia Ara Agrippinensium. Colônia também tem o status de cidade santa (assim como Jerusalém, Bizâncio e Roma), num processo iniciado pela influência de Carlos Magno, o que motivou a transferência dos supostos restos mortais dos três reis magos à cidade. Em sua homenagem, foi iniciada a construção da catedral, em 1248, mas 40 anos depois os cidadãos perderam revoltaram-se contra a tirania da igreja e expulsaram o arcebispo da cidade, que teve que se instalar em Bonn. A catedral só ficou pronta no século XIX.

No início dos anos 30, Colônia tornou-se o centro administrativo do Nazismo na Alemanha, com a instalação da sede da Gestapo no centro da cidade. Por este motivo, foi a cidade alemã mais bombardeada durante a Segunda Guerra Mundial. Ao final da guerra, mais de 90% do centro da cidade havia sido destruído e a população que era de 800 mil habitantes havia sido reduzida a 40 mil. Vários prédios e casas antigas foram destruídos ou danificados, mas a catedral escapou ilesa dos bombardeios.


Centro de Colônia ao final da Segunda Guerra Mundial, com quase 95% de todas as construções destruídas. Foto: 303rd Bomb Group Association

Pouco depois que chegamos em Colônia, já estávamos diante da catedral. A catedral é um verdadeiro museu, por dentro e por fora. Os detalhes estão em outro post, que publicarei na seqüência.


Nossos caminhos em Colônia.
Tendo apenas uma tarde para conhecer Colônia, meu interesse depois da Catedral era caminhar pela cidade, descobrir paisagens e observar as pessoas. Luís e Ricardo queriam conhecer o Museu Ludwig, que tem uma exposição permanente de arte contemporânea, com quadros de Picasso, Klee, pintores surrealistas e minimalistas. O Museu Ludwig fica do lado da Catedral. Já eram 17h e a exposição fechava às 18h. Deu para aproveitar uma hora, mas foi pouco pois o museu é muito grande. Não vi Klee, e só descobri Picasso no final, mas como não me interesso muito por ele, não fez falta.

Depois que fui expulso da exposição principal, que já fechava, tive a chance ainda de ver a exposição temporária de Salvador Dalí sobre o quadro La Gare de Perpignan (a estação de Perpignan) - o centro do mundo. Essa valeu a pena. A exposição praticamente é centrada nesse único quadro imenso. Tem cerca de 3 metros de altura por 4 metros de largura mas com detalhes minúsculos. Logo que se entra na exposição ele domina a paisagem do museu.


La Gare de Perpignan, de Salvador Dalí (exposto no Ludwig Museum em junho de 2006)

Depois do museu descemos a praça até o Reno, caminhando pela Altstadt (cidade velha), onde estão algumas das casas mais antigas de Colônia (sec XIV), que hoje são bares e restaurantes. No meio delas está a belíssima igreja Groß St. Martin, do século XI. Os parques e gramados estavam cheios de gente deitadas tomando sol, que no verão só se põe por volta das 22h. Ainda havia muito tempo, porém a cidade estava uma loucura pois aproximava-se a hora do jogo da Alemanha.


Casas medievais e Groß St. Martin.
Na principal rua que beira o rio, praticamente todas as construções são ocupadas por bares e cafés (que estavam lotados por causa do jogo.) Caminhamos pela orla do rio (rua Leystapel) até o Deutsches Sport und Olympiamuseum (onde também havia um telão para o jogo da Alemanha) e depois voltamos para sentar em um dos bares para tomar uma Weissenbier e comer alguma coisa.

Fiquei sabendo depois que tomar uma Weißenbier em Colônia, cerveja de trigo típica da Bavaria, foi uma heresia. Colônia é a única cidade no mundo onde se permite produzir o Kölsch, a famosa cerveja local. Porém, nenhum de nós sabia disso (eu só fiquei sabendo quando alguém do acampamento me perguntou se eu tinha provado a tal Kölsch, e eu não tinha a menor idéia do que era).


Nas margens do Reno: bares e pessoas aproveitam o Sol.

Quando estava perto de escurecer, decidimos voltar. O jogo já havia começado e, como tinham instalado um telão na Roncalli Platz (a praça que fica do lado esquerdo da catedral) tivemos que driblar uma multidão antes de conseguir alcançar a estação de trem. Por descuido, acabamos pegando o trem errado. O destino estava correto, mas pegamos um daqueles trens que pára em todas as estações. Levamos o dobro do tempo para voltar.


Colônia e o rio Reno vistos da torre da catedral.

De volta ao acampamento, alguns foram dormir, mas eu, como sempre, não consegui e estiquei até mais tarde junto com os amigos da Sérvia, dos EUA e da Alemanha.

Veja outras fotos de Colônia:
KölnAlleys in ColognePark near the Rhine
KölnAlleys in CologneGroß St. Martin and park near the RhineStraße near Groß St. Martin
Hauptbahnhof (Central Station)O Reno e o outro ladoPerto do Reno
Mais fotos:

2 comentários:

Brisa disse...

Lindo o lugar, meu namorado mora em K�ln, e eu pretendo ir morar l�... espero poder, espero conseguir, vou esperar terminar meu ensino medio e entrar na ufba p me tranferir para alemanh� para ficar mais perto...
queria saber... l� as coisas s�o muito caras?
abra�o =]

kivan disse...

Lugar interessante, quem sabe entra na minha agenda de vaiagem à Europa nas próximas férias.