7.7.06

Play-off/06: segunda semana


Festa de abertura da segunda semana em Herne. No alto, à direita, Teka cantando e mexicanos (Os Faceiros) tocando samba.

Todas as apresentações da primeira semana do festival Playoff/06 aconteceram em três cidades: Essen, Gelsenkirchen e Dortmund. Na segunda semana, saiu a cidade de Essen e entrou Herne, que inaugurou sua participação com uma festa de boas-vindas no sábado, no Flottmann-Hallen (uma antiga fábrica desativada transformada em teatro). Como em Essen, foi montado um palco para os grupos se apresentarem com improvisações, que eram geralmente apresentações de dança. O grupo Longe do Mar, do México (que é um grupo de capoeira) fez um show de percussão em ritmo de samba. A festa se estendeu pela madrugada.

À esquerda: cena da peça Quando eu aqui cheguei, do grupo Capoeira Longe do Mar, do México. Foto: Benjamin Stöss. À direita: cena da peça Miserere Nobis do grupo Banfield, da Argentina. Foto: Peterson Ramos.

Eu perdi minhas anotações sobre as peças da segunda semana (12 a 16 de junho), então vou ter que confiar na minha memória. Comecei a semana me perdendo em Gelsenkirchen ao procurar uma lavanderia e não conseguindo voltar a tempo para assistir a peça da Argentina (grupo Banfield, de Buenos Aires), que vários consideraram a melhor do festival. O resto do nosso grupo conseguiu assistir, e não haveria outra chance pois a outra apresentação acontecera mesmo dia e horário que a nossa peça. Só me resta agora a chance de ver a peça em DVD.


La Vita Bassa, da Itália.
Foto: Tri-Boo.

Crossroads, do grupo Mimart
(Sérvia e Montenegro).
Foto: Predrag Radovancevic.
O grupo da Itália (Tri-Boo) não participou do evento inteiro. Chegou no domingo à noite, fez uma apresentação na segunda-feira à tarde e voltou na terça-feira. A peça, La Vita Bassa, era uma coreografia surrealista com uma temática existencialista, que usava muitas sombras, um texto banal e personagens que agiam como máquinas: uma crítica à condição humana atual, à submissão às convenções e à perda da identidade.

Na terça-feira foi o dia da nossa apresentação em Herne, sobre a qual eu já falei em outro post. Depois da nossa apresentação, assistimos à peça da Sérvia e Montenegro que chama-se Crossroads (Encruzilhada). A platéia foi distribuída em quatro áreas do palco deixando dois corredores que se estendem até os limites do palco, por onde passam os atores. Dos quatro cantos surgem personagens, que andam, que se trombam, que dançam, que falam diferentes línguas. No centro está uma bruxa que ninguém vê. Ela segura um globo. Eu não entendi o papel da bruxa. A encruzilhada parece representar o inevitável encontro entre povos e culturas. A peça utiliza-se de muita linguagem abstrata, símbolos, dança e fogo.


Cena da peça Mahler & Symphony to Nature do Teatro Jovem de Zagreb, Croácia. Foto: Play-off.

Na quarta-feira eu, o Ricardo e o Luís assistimos a peça da Croácia, Mahler e uma Sinfonia para a Natureza, que apresentou um espetáculo de dança com belas imagens e coreografias inspiradas na música de Gustav Mahler. Mulheres de branco com vestidos longos e altos como se estivessem em uma gôndola, remando. Um exército, que se desestrutura após a uma insubornidação coletiva e transforma-se em um baile. Eu não entendi nada, mas achei bonito. Na seqüência haveria o espetáculo do México, que eu acabei não assistindo pois era a única tarde que teríamos para conhecer Colônia. A maior parte do nosso grupo já havia visto a apresentação deles, que utiliza capoeira e ritmos brasileiros.

Então na quarta-feira à tarde fui à Colônia, e na quinta-feira - que era feriado e um dia livre - fui a Amsterdam. Eu já escrevi os relatos dessas duas viagens e publicarei em breve.


La Quete Noir, da Compagnie Woenyo, Togo. Foto: Play-off.

Na sexta-feira Eu, Ricardo e Luís amanhecemos em Amsterdam, pegamos o trem das sete horas e chegamos em Herne a tempo para assistir o espetáculo da Alemanha, que começava às 10 horas. A peça acontecia dentro de um ringue de boxe com a platéia em volta. Infelizmente não lembro dos detalhes.

10 Gebote für Städtebewohner, da Alemanha. Foto: Benjamin Stöss.
 Tive que fazer um grande esforço para ficar acordado, não por a peça não ser interessante, mas por causa do cansaço da viagem e do pouco sono. A peça é uma dramaturgia coletiva que conta histórias reais de pessoas diante das dificuldades da vida. O sono não deixou que eu me concentrasse na peça, mas depois da peça da Alemanha tomei bastante café e consegui ver a peça do Togo: La Quete Noir. Nossa barraca era vizinha da do Togo, então eu já esperava ouvir muitos tambores. Eles apresentaram um belo espetáculo de dança tribal sem falas, que contava algum tipo de história (de guerra) utilizando-se apenas de linguagem corporal, cores, sombras e ritmos primitivos.

Um comentário:

Anônimo disse...

saudade de ti, sumido.
bjs. Morelli.