
Cena da peça em Essen, com Luís Paulo Maeda.
Fizemos duas apresentações da nossa peça em espaços bem diferentes. Em cada espaço, além da reorganização do palco, montagem do cenário e afinações de luz, tivemos que bolar como utilizaríamos os espaços externos, já que a peça começa fora do palco. A primeira cena acontece quando uma mulher louca, com as mãos atadas, surge do nada no meio da platéia que espera o início do espetáculo. Nos teatro dos Satyros, que tem um bar na entrada, ela surgia da rua. Era assustador para quem estava no bar. Nos dois teatros em Essen e em Herne, o palco ficava muito longe da rua, e apenas um deles tinha uma saída pelos fundos do palco. Então tivemos que buscar outras alternativas, que funcionaram muito bem.

Prédio onde fica o Studio-Bühne, no complexo Zollverein, Essen.
A primeira apresentação foi no dia 6 de junho, no Studio-Bühne em Essen, que fica em um dos prédios históricos do imenso complexo de mineração Zollverein. O Studio-Bühne não é um teatro, mas um espaço de festas que foi transformado em teatro especialmente para o Play-off/06. Infelizmente ele não proporcionou escuridão total, o que nos obrigou a cortar uma das cenas. Era uma cena de sonho que acontecia no escuro enquanto a platéia apenas ouvia a respiração ofegante de alguém que parecia estar fugindo de algo ou alguém. Flashes periódicos passavam a impressão de que haviam mesmo pessoas (ou fantasmas) no palco, e a cada flash parecia que eles estavam chegando mais perto. Sem escuridão total a cena, que depende dessas ilusões, não faria sentido.
Éramos 11 atores e não tínhamos diretor nem técnico para operar a luz e som. Tivemos que fazer tudo, desde adaptar as cenas ao ambiente, afinar a luz, organizar o espaço, definir as marcações e encontrar um meio de operar a luz e o som. Foi uma correria. A afinação da luz terminou menos de meia hora antes e não deu tempo para ensaiar no teatro. Como não tínhamos técnico de luz, organizamos um esquema de revezamento para garantir a realização do espetáculo. Mas, faltando 30 minutos para o início do espetáculo, chegaram os diretores dos Satyros Rodolfo e Ivam, e o ator Laerte Késsimos. Rodolfo acabou fazendo a luz e o som. Não ficou perfeito mas ninguém notou e no final deu tudo certo. Fomos muito aplaudidos (os alemães aplaudem muito e não param). Recebemos cumprimentos individuais de várias pessoas que assistiram à peça. As reações foram semelhantes às apresentações que fizemos no Brasil em dezembro: levou algumas pessoas às lágrimas. Não sei o que a platéia entendeu, mas a peça com certeza envolveu os espectadores. A apresentação em Essen teve boa repercussão o que atraiu mais espectadores para a segunda apresentação, que aconteceria em Herne na semana seguinte.

Flottmann-Hallen, em Herne. Foto: Ricardo Socalschi.
A segunda apresentação, no dia 13 de junho, no Flottmann-Hallen, em Herne, foi bem mais tranqüila. Laerte chegou no dia anterior e o controle do som e da luz funcionou melhor. Fizemos também mais ensaios e exercícios para melhorar a dicção das falas em inglês e alemão.

Luís afinando a luz no Flottmann-Hallen.
Assim como em Essen, a apresentação em Herne também emocionou a platéia. Como nós, os atores e diretores de vários países, estávamos sempre nos encontrando no acampamento e nas peças, sempre surgia uma oportunidade para se comentar abertamente sobre alguma peça. A principal crítica à nossa peça foi sobre a dificuldade de se entender o que os atores diziam em inglês, mas isto não chegou a prejudicar a peça, pois a principal linguagem usada (talvez, com exceção da minha cena com o Ricardo) não dependia do texto. Para a maioria dos espectadores que nos deram feedback, a linguagem corporal da peça foi capaz de transmitir imagens que deixavam impressões bastante fortes.








2 comentários:
agora também vim te visitar! adorei as fotos e as histórias.
beijos
agora também vim te visitar! adorei as fotos e as histórias.
beijos
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