4.7.06

Nossas apresentações na Alemanha


Cena da peça em Essen, com Luís Paulo Maeda.

Fizemos duas apresentações da nossa peça em espaços bem diferentes. Em cada espaço, além da reorganização do palco, montagem do cenário e afinações de luz, tivemos que bolar como utilizaríamos os espaços externos, já que a peça começa fora do palco. A primeira cena acontece quando uma mulher louca, com as mãos atadas, surge do nada no meio da platéia que espera o início do espetáculo. Nos teatro dos Satyros, que tem um bar na entrada, ela surgia da rua. Era assustador para quem estava no bar. Nos dois teatros em Essen e em Herne, o palco ficava muito longe da rua, e apenas um deles tinha uma saída pelos fundos do palco. Então tivemos que buscar outras alternativas, que funcionaram muito bem.


Prédio onde fica o Studio-Bühne, no complexo Zollverein, Essen.

A primeira apresentação foi no dia 6 de junho, no Studio-Bühne em Essen, que fica em um dos prédios históricos do imenso complexo de mineração Zollverein. O Studio-Bühne não é um teatro, mas um espaço de festas que foi transformado em teatro especialmente para o Play-off/06. Infelizmente ele não proporcionou escuridão total, o que nos obrigou a cortar uma das cenas. Era uma cena de sonho que acontecia no escuro enquanto a platéia apenas ouvia a respiração ofegante de alguém que parecia estar fugindo de algo ou alguém. Flashes periódicos passavam a impressão de que haviam mesmo pessoas (ou fantasmas) no palco, e a cada flash parecia que eles estavam chegando mais perto. Sem escuridão total a cena, que depende dessas ilusões, não faria sentido.


Preparação do palco em Essen. Foto: Play-off.
Éramos 11 atores e não tínhamos diretor nem técnico para operar a luz e som. Tivemos que fazer tudo, desde adaptar as cenas ao ambiente, afinar a luz, organizar o espaço, definir as marcações e encontrar um meio de operar a luz e o som. Foi uma correria. A afinação da luz terminou menos de meia hora antes e não deu tempo para ensaiar no teatro. Como não tínhamos técnico de luz, organizamos um esquema de revezamento para garantir a realização do espetáculo. Mas, faltando 30 minutos para o início do espetáculo, chegaram os diretores dos Satyros Rodolfo e Ivam, e o ator Laerte Késsimos. Rodolfo acabou fazendo a luz e o som. Não ficou perfeito mas ninguém notou e no final deu tudo certo. Fomos muito aplaudidos (os alemães aplaudem muito e não param). Recebemos cumprimentos individuais de várias pessoas que assistiram à peça. As reações foram semelhantes às apresentações que fizemos no Brasil em dezembro: levou algumas pessoas às lágrimas. Não sei o que a platéia entendeu, mas a peça com certeza envolveu os espectadores. A apresentação em Essen teve boa repercussão o que atraiu mais espectadores para a segunda apresentação, que aconteceria em Herne na semana seguinte.


Flottmann-Hallen, em Herne. Foto: Ricardo Socalschi.

A segunda apresentação, no dia 13 de junho, no Flottmann-Hallen, em Herne, foi bem mais tranqüila. Laerte chegou no dia anterior e o controle do som e da luz funcionou melhor. Fizemos também mais ensaios e exercícios para melhorar a dicção das falas em inglês e alemão.

Luís afinando a luz no Flottmann-Hallen.
 O teatro em Herne permitiu que construíssemos um layout similar ao teatro dos Satyros em São Paulo (na verdade eu achei que ficou melhor que o dos Satyros, pois o teatro é mais largo). Pudemos fazer a maior parte da afinação e montagem no dia anterior. Tivemos escuridão total e pudemos trazer de volta a cena do flash. Eu tive um piano de cauda à disposição (em Essen tive um piano elétrico). A principal alteração foi na cena de entrada. O teatro ficava no andar superior, que tinha um mezanino, e as pessoas esperavam no andar de baixo. No início da peça, a Teka (a mulher louca) ficou no meio das pessoas, no andar de baixo, e Ricardo (um sacerdote) e Wanderley (um médico) a observavam do mezanino. Na hora em que ela tenta fugir, eles o capturam na escada. Enquanto isto, eu fiquei tocando acordeón de costas no mezanino até todos entrarem, e depois entrei como cego.


Eu como cego, em Herne.
Foto: Benjamin Stöss.
Assim como em Essen, a apresentação em Herne também emocionou a platéia. Como nós, os atores e diretores de vários países, estávamos sempre nos encontrando no acampamento e nas peças, sempre surgia uma oportunidade para se comentar abertamente sobre alguma peça. A principal crítica à nossa peça foi sobre a dificuldade de se entender o que os atores diziam em inglês, mas isto não chegou a prejudicar a peça, pois a principal linguagem usada (talvez, com exceção da minha cena com o Ricardo) não dependia do texto. Para a maioria dos espectadores que nos deram feedback, a linguagem corporal da peça foi capaz de transmitir imagens que deixavam impressões bastante fortes.

2 comentários:

Anônimo disse...

agora também vim te visitar! adorei as fotos e as histórias.
beijos

Cléo De Páris disse...

agora também vim te visitar! adorei as fotos e as histórias.
beijos