18.7.06

A Catedral de Colônia


Fotocromo da Catedral de Colônia, tirada em 1890, dez anos após sua conclusão Fonte: Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos

Se você estiver passeando pela Europa e estiver a menos de 250km de Colônia, não deixe de conhecer a Kölner Dom. Como ela fica bem do lado da estação central, vale a pena fazer uma escala na cidade só para passar algumas horas visitando-a.

Com suas duas torres de 157 metros de altura, a Catedral de Colônia era, na sua inauguração em 1880, o prédio mais alto do mundo. Superada quatro anos depois pela construção do monumento de Washington, ela continuou sendo a estrutura mais alta da Europa até a construção da torre Eiffel, em 1889. Hoje ainda é a maior catedral gótica da Europa, e a segunda igreja mais alta do mundo (perde apenas para a catedral de Ulm, na Bavaria, cuja torre tem 4 metros a mais).

O altar. O ponto brilhante dourado ao fundo é uma arca de ouro que os católicos acreditam conter os ossos e roupas dos reis magos.
A catedral teve sua construção iniciada em 1248 para guardar relíquias pertencentes aos três reis magos, trazidas de Milão pelo imperador Frederico Barbarossa e presenteado ao arcebispo de Colônia, em 1164. Em 1560 (312 anos depois do início das obras) a construção foi suspensa por falta de dinheiro, e a obra ficou parada por quase três séculos. Durante esse período, o prédio foi usado para os mais diversos fins, tendo servido como estábulo e prisão. Em 1824, com o patrocínio do rei Frederico IV da Prússia, as obras foram retomadas de acordo com os projetos e desenhos originais guardados desde a Idade Média. Foram adicionadas as torres e outras partes importantes da igreja. A inauguração foi celebrada como um grande evento nacional em 1880, 632 anos após o início da construção.


Esculturas próximas de uma das portas. Observe a diferença de estilos: as figuras centrais são bem diferentes das outras duas.


Relíquia e ouro contendo ossos e roupas que os católicos acreditam pertencer aos três reis magos. A fé na autenticidade dessa relíquia é o que motivou a construção da catedral.

A catedral escapou praticamente ilesa durante os bombardeios de Colônia na Segunda Guerra Mundial. Foi atingida em 14 pontos mas não sofreu nenhum dano estrutural e passou por um processo de restauração terminado em 1956. O prédio está continuamente em obras de manutenção. Observei que existem lugares nas fachadas externas em que faltam pedaços, às vezes esculturas inteiras. Não tenho certeza mas imagino que possa ter sido destruição causada durante a guerra.

Em 1996 a catedral tornou-se Patrimônio Cultural da Humanidade, pela UNESCO. Há dois anos, porém, entrou na lista de patrimônios ameaçados. O motivo: os arranha-céus projetados para serem levantados na orla oposta do Reno ameaçavam ocultá-la e fazê-la sumir do skyline da cidade. Aparentemente as coisas se resolveram e há poucas semanas a catedral foi retirada da lista de patrimônios ameaçados.


Uma gargula! Há muitas dessas em volta da igreja.


Detalhe de um dos vitrais da fachada Sul.


A maior fachada do mundo.

Parece inacreditável que uma obra de arte daquele tamanho tenha levado 632 anos para ser construída, e tenha sido concluída de acordo com os planos originais (em grande parte). É realmente impressionante a persistência e a fé dos que levaram a obra adiante e não desistiram, que conseguiram realizar um trabalho de equipe mesmo estando separados por séculos, que acreditaram na sua conclusão e que sonharam com a catedral concluída, mesmo sabendo que não estariam vivos para vê-la pronta, que nela deixaram o melhor de sua arte, mesmo sabendo que seriam esquecidos pelos homens.

Quem será este?
Foto: Ricardo Socalschi.
 Meu conceito do que significa longo prazo precisa ser revisto. A fé das pessoas é realmente muito poderosa. Senti-me minúsculo diante de uma construção tão imensa e tão antiga. Minúsculo em vários sentidos, no espaço, no tempo e diante de todos os que de alguma forma contribuiram com aquela obra. Me causou uma sensação que não sei definir. É como se estivesse perto de entender o sentido da existência e de tudo; como se eu fosse um alienígena que descobria a civilização humana pela primeira vez. De vez em quando ainda lembro, e penso em tudo isto. Caminhei em volta da igreja e toquei naquelas paredes antigas, que foram erguidas antes dos europeus pisarem na América. Depois de uns trinta minutos explorando o exterior da catedral, resolvi entrar, e lá comecei outra viagem.


Quem será D. Adamus Daemen que recebe as maiores glórias? O que ele tem a ver com o papa Clemente?

Gostaria de um dia caminhar pelo interior da catedral num dia ou numa hora em não houvesse tantas turistas, e quando as luzes artificiais não estivessem acesas, e seu interior estivesse iluminado apenas pela luz do Sol que atravessa os vitrais. Mas mesmo cheia de turistas tirando fotos, e mesmo com lâmpadas elétricas iluminando suas colunas, o interior impressiona. A igreja é imensa. Me perdi de Luís e Ricardo e demorei para achá-los. É incrível aquele prédio, sem cimento, sem concreto e sem ferro, estar de pé, sustentar tanto peso, durar tanto tempo, e ter tanto espaço interno. O som das pessoas conversando se perde entre as colunas sob a nave central que tem 43 metros de altura. Quando eu saía por uma das portas, a sensação era que dentro havia silêncio, apesar de estar cheia de gente. Havia trechos mais escuros, e lugares iluminados apenas pela luz dos vitrais. Nas paredes, no chão, no alto, nos cantos. Em todo lugar havia alguma surpresa que poderia ser um túmulo, uma inscrição em uma pedra, um crucifixo, uma gravura em alto relevo.


Degraus da torre.
Antes de deixar a catedral, e depois que eu encontrei Luís e Ricardo, finalmente decidimos subir os 509 degraus que levam ao alto da torre sul. A subida é uma espiral que vai ficando cada vez mais estreita e parece nunca terminar. Na primeira metade, o mesmo caminho é usado por quem sobe e por quem desce. Ainda comecei a contar os degraus, mas lá por volta do duzentos e alguma coisa deixei para lá. Os degraus estão gastos e têm o centro rebaixado. Nas paredes internas, em toda a extensão da torre, há pichações. São nomes, datas, cidades de origem, em tinta, em lápis, em giz. Estão em muitas línguas, e muitas datas são de décadas atrás. No meio do caminho havia um sino imenso de 24 toneladas, e a subida ficou ainda mais estreita. Passado o sino, subimos por uma escada de metal levantada no centro da torre (e que não faz parte do projeto da igreja.) A escada original, muito estreita, é reservada apenas para a descida. A igreja é cheia de detalhes, cheia de pontas, nos telhados, e até lá, no alto, onde só as aves e os anjos habitam (lá em cima há esculturas de anjos).


A cidade, vista da torre da catedral.

Eu tirei muitas outras fotos da Catedral de Colônia. As melhores eu estou publicando no Flickr.

Mais informações e fotos:

8 comentários:

Linda disse...

Achei fascinante tudo que li sobre a Catedral de Colônia! Foi um passeio maravilhoso!. Ao redor e dentro da construção. Realmente imaginar que pessoas de séculos diferentes,foram construtores desta obra grandiosa, é sensacional! Eu gostaria de ver esta beleza.Mas eu me satisfaço somente em vê-la nesta fotografia. Um beijo. Linda. Valeu, Helder!

Roberta disse...

Gostei muito das informações que recebi vendo suas fotos e seus comentários sobre a catedral gótica de Colônia. Estou fazendo um trabalho de Artes sobre a leitura de uma catedral gótica, e, depois que li isso tudo, acabei de escolher a obra que vou ler. Muito obrigada pela ajuda.

Anônimo disse...

Hoje,dia 20-09-2007,estive com minha familia em colonia e posso
afirmar que realmente que é exatamente como voce descreveu.
Um passeio fascinante...

Huin disse...

Depois de ler vários livros que falam sobre a catedral de Colónia abriguei-me a trabalhar num deles e agora ando a procurar mais informações sobre a catedral. Deve ser realmente fascinante ver essa imagem grandiosa à nossa frente. Adorava ir lá. Penso que o que me tocaria realmente seria sentir o peso dos séculos esculpidos na parede sobre mim. A grandiosidade da catedral não deve ter limites. E as fotografias estão incríveis.

JC BARROS JR. disse...

Muito legal, não deixe de postas outras viagens interessantes como essas, uma pena que nem todos nos mortais temos chance de ver tantos monumentos grandiosos existentes por toda europa, uma vida é pouco para ver e conhecer tantas coisas como esta.

Anônimo disse...

ruim demaiswiekxmd




vai tomar no cu todos que escreveram comentarios




fedaputões

Anônimo disse...

Uma amiga viajou para a cidade de Colonia e disse que traria fotos.Em casa procurei fotos da cidade.estou impressionada com a maravilhosa obra dessa catedral.Ela tirou uma foto na frente da catedral e trouxe para eu ver.Realmente os que projetaram e construíram foram inspirados por Deus.Nunca poderei visitá-la mas me conformo com a foto e achei aqui informações maravilhosas sobre a cidade. Parabens.

Luiz Carlos Machado disse...

Luiz Carlos disse:
Helder, seja abençoado por produzir um material tão magnífico.
A Catedral é única. Quando lá estive em 1989 havia na praça em frente uma escultura em pedra de uma flor de lis(florão) com cerca de 3 m de altura e pesando cerca de 2,5 T. A informação que tive é que no alto das 2 torres o acabamento final era o mesmo. Incrível!