30.6.06

O Festival Play-off/06



Estou de volta depois de passar duas semanas na Alemanha participando do festival internacional de teatro Play-off/06. Foram duas semanas em que praticamente não peguei em computador (só usei nos cyber-cafés como meio de comunicação) e esqueci o que acontecia no mundo (exceto a Copa, que estava em toda parte, inclusive em Gelsenkirchen). Foram duas semanas em um acampamento com pessoas de quatro continentes, misturadas, e que se entendiam através do teatro. Para mim foram as melhores férias que eu poderia ter do trabalho. Além de atuar, assistir as peças e conhecer gente interessante, ainda descobri uma parte muito interessante e pouco visitada da Europa: a região do Ruhr, e visitei as cidades Colônia e Amsterdam, que ficavam próximas.

Há muitas histórias para contar. Todas as vezes em que alguém me pergunta o assunto não se esgota, então vou tentar contar tudo desde o início.

A ordem destes posts está um pouco confusa pois eu escrevi parte do texto na Alemanha em notas soltas em inglês e português, e misturei com textos que escrevi aqui, em São Paulo, quando voltei. Estou postando mais ou menos na ordem. Depois que eu terminar de publicar tudo vou tentar organizar melhor.

O Festival

Christian Strüder, diretor do Flottmann-Hallen, Herne; André Wülfing, diretor Play-off/06 e Berthold Meyer, diretor do Theater im Depot, Dortmund. Foto: Play-off/06.
O festival Play-off/06 foi idealizado há dois anos por André Wülfing, do Consol Theater em Gelsenkirchen. A idéia era reunir no Ruhr grupos jovens de teatro de todo o mundo e aproveitar a euforia em torno da Copa do Mundo ser na Alemanha para atrair interesse e obter recursos para a realização do evento. A princípio pensou-se em trazer grupos dos 32 países participantes da Copa do Mundo, mas no final só foi possível trazer 16. Com recursos governamentais e de empresas, o projeto pôde pagar as passagens e despesas de grupos que vieram da América do Sul, da Ásia, da África e da Europa, e agrupá-los em um acampamento internacional durante duas semanas, de onde partiriam para as apresentações em quatro cidades da região do Ruhr.


Kerstin Plewa-Brodam, diretora do Studio Bühne, Essen, dando boas vindas aos participantes na tenda central do acampamento. Foto: Play-off/06.
Não foi um festival como outro qualquer. A idéia mais original foi manter todos os grupos juntos em um acampamento. Vinte e quatro tendas padronizadas mais algumas outras avulsas abrigavam mais de 140 atores de 15 países e quatro continentes. Era uma babel de pessoas que se misturavam e se entendiam apesar das diferenças de idioma e cultura. O acampamento permitiu a aproximação que não teria acontecido se cada grupo tivesse ficado em seu hotel, como geralmente ocorre nos festivais. Tomar o café da manha em uma mesa compartilhada, esperar na fila do almoço, ou qualquer outra atitude do dia-a-dia poderia ser o pretexto para iniciar uma conversa e conhecer alguém que veio do outro lado do mundo. O acampamento era um pequeno mundo, e em duas semanas os grupos do mundo se misturaram. No final éramos como um só grupo.

E como nós, o Núcleo Experimental dos Satyros fomos parar na Alemanha? Isto eu já respondi isto em outro post.

Um comentário:

Roberta de Felippe disse...

Que interessante ler algo, hoje, sobre a Alemanha que não seja apenas Copa do Mundo!