29.6.06

Gelsenkirchen, Essen, Herne e Dortmund

St. Liudger Abbey Essen-Werden
Abadia de São Ludgero, em Essen-Werden, que hoje abriga a escola de artes Folkwang.

O festival Play-off/06 foi patrocinado e aconteceu em quatro cidades do Ruhrgebiet: Essen, Dortmund, Gelsenkirchen e Herne.

Essen é uma das maiores cidades da região do Ruhr, com pouco menos de 600 mil habitantes. Nasceu de um convento em 852 e cresceu junto com a ascensão da família Krupp (fiz um monte de notas sobre eles, e depois publicarei um artigo) e das mineradoras. Os Krupp eram industriais do aço e sua mansão, a Villa Hügel, que fica na periferia da cidade, é hoje um museu. A cidade viveu anos de intensa atividade industrial e riqueza em vários períodos do século XX. Hoje todas as minas e siderúrgicas da cidade estão fechadas, mas os escritórios centrais das maiores indústrias do ramo têm sede na cidade. A principal atração turística de Essen, na minha opinião, é o Zeche Zollverein XII, considerada a mais bela e mais eficiente indústria de carvão mineral do mundo quando foi construída. O teatro Studio-Bühne, onde apresentamos nossa peça, fica dentro do Zollverein.

Gelsenkirchen
Prédio no centro de Gelsenkirchen

Gelsenkirchen é uma cidade tranquila (quase: em dia de jogo da Copa do Mundo fica que nem o Brasil). Com cerca de 280 mil habitantes é a quinta cidade em população do Ruhrgebiet (depois de Dortmund, Essen, Duisburg e Bochum). Como as outras cidades do Ruhrgebiet, possui amplos parques, muitas casas e prédios baixos. A maior parte das construções da cidades é nova e muitas áreas residenciais são antigas colônias de mineiros. A cidade foi alvo de bombardeios aliados durante a Segunda Guerra Mundial devido à sua intensa concentração de indústrias e ao final da guerra, em 1945, um terço dos prédios públicos e casas da cidade haviam sido destruídos. A cidade é ótima para caminhar e há metrô, trem e ônibus para todo lugar. É facílimo sair de Gelsenkirchen e ir para qualquer outra cidade da região de metrô, ou pegar um trem para qualquer cidade da Europa. O acampamento do festival foi instalado ao lado de uma antiga mineradora (Bergwerk Consolidation) que hoje é o Consol Theater.

O sistema de transportes no Ruhrgebiet é bastante eficiente. No metrô, tudo é automático. Quando chegamos na estação de metrô Bergwerk Consolidation (a mais próxima do acampamento) ela estava deserta e tudo parecia desligado. Era engano. Ao aproximar-se da escada rolante ela começa a andar. Você compra os bilhetes através de um painel eletrônico, que tem instruções em alemão, inglês e outras línguas, e depois valida na estação ou no trem. O trem chega na hora. Os horários estão impressos na estação e quando o trem está perto de chegar, a informação aparece em um visor eletrônico. Do Consol Theater ao centro de Gelsenkirchen de metrô custava €2,00.

Flottmann-Hallen Herne
Flottmann-Hallen, em Herne

Não vimos muita coisa em Herne, cidade de 170 mil habitantes localizada entre Gelsenkirchen e Dortmund. Conhecemos apenas as estações de metrô e o teatro: o Flottmann-Hallen, onde nossa peça foi apresentada. O Flotmann-Hallen foi construído nos prédios e terreno de uma antiga fábrica, como a maior parte das instalações culturais do Ruhrgebiet. O prédio tem inspiração na arquitetura Art Noveau.

Dortmund é uma das principais cidades da região do Ruhr. Tem a mesma população que Essen, vários rinocerontes coloridos espalhados pela cidade (como a parada das vacas em São Paulo) e um monte de torcedores fanáticos pelo Borussia, o time da casa. Infelizmente eu não tive oportunidade de conhecer Dortmund nem vi nenhuma peça no Theater im Depot, que também participou do Play-off/06. Fica para a próxima viagem.

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