22.5.06

Ficções



Considera ficção, ou considera passado. Considera como quiser, já que é ilusão. Se não é imaginário, por que só existe na minha mente, ou aqui, nestas páginas de palavras imaginadas? Em outras, em que apareces, eu não estou. Talvez seja ficção. Uma insuportável ficção.

Faço de conta que nada existe. Numa noite, numa festa, não é difícil. Deixo que vivas tua ficção, e eu invento uma para mim. Ficções são curtas e terminam. Não foi tão fácil. Atuar não é fácil. Tive que buscar mil distrações e senti-me como se de fato estivesse no teatro, assumindo um papel, obviamente falso, enganando a todos. Mas e se a ficção estende-se além da noite? E se a peça não termina? E se eu não te encontro quando mais preciso? E se depois te acho em imagens reais, no mundo real, da forma como estavas no conto de ficção? Como não duvidar da minha realidade? Será que somos mesmo reais?

Se o teatro foi mesmo a realidade, e não foi ficção, o que faço aqui alimentando estas fantasias? Testei os limites do meu amor irracional. Segurei meu mundo nas costas mas ele escorregou e caiu sem amparo porque ninguém sabia que ele existia. Eu o segurava sozinho. Mas que diabos é essa realidade só minha? Esta página de palavras fantasiosas? Esta imagem, talvez, que só existe aqui, Alessandra? Considera ficção, ou então, se achar melhor, considera passado, ou não. Cria a tua história. Esta, é a minha.

Qualquer semelhança com pessoas e fatos reais será mera coincidência, e os pixels, e os nomes, como sempre, foram trocados para preservar-se a privacidade das pessoas reais.

Nenhum comentário: