
In the beginning was the word, the wordEla foge porque odeia a definição. Não adianta procurar. A mente é muito vasta e os sons infinitos. Essa roupa ela não quer vestir. Não vai. É melhor esquecer; tomar um café, caminhar. Pensar mais só ajuda a afastá-la. O som não corresponde. A forma está errada. A imagem é distorcida. É suave onde deveria ser dura e áspera onde deveria ser lisa. Não tem cheiro. Não arranha. Não cabe.
That from the solid bases of the light
Abstracted all the letters of the void;
And from the cloudy bases of the breath
The world flowed up, translating to the heart
First characters of birth and death.
(Dylan Thomas, In the Beginning)
Ah, mas é lei. Está escrita, estática, em traços mortos, claramente, no vocabulário da academia. Se a lei exige, o que fazer? Não tem como escapar. Tem que aceitar. Até porque está lá, impressa e classificada. Não se pode inventar outra sem justificativa racional. Se existe, é para ser usada. Não lembra? Vai lá procurar!
Mas se tentares lembrar, assim, na hora, no repente, no desamparo, não terás chance. Tomara que esqueças a ordem das letras, que tropeces nos sons semelhantes. De onde veio esta coisa? Não nasceu da fala humana. Parece obra de burocrata. Talvez de escrita estrangeira impondo-se à voz. Por que é tão grande? Por que é tão feia. Vai, escolhe outra. Inventa! Não muda de idioma. Arranja outra abstração. A luz tem base sólida, é natural, é intensa, é verdadeira. Não sacrifiques o essencial. Ao poeta, só interessa o essencial. O essencial é invisível às letras, que são apenas fantoches, talvez iscas, talvez nada. Agora é a hora de criá-la, inventá-la a partir do nada. Deixa que ela te possua, revelando seu ritmo no sopro vital e traduzindo-se ao teu coração, e com sangue pulsante escreva sua morte, dando-lhe a vida.







1 comentários:
"A gente pode não controlar o sentimento mas deve controlar a atitude"
Obrigada pelo comentário no Kit Básico.
Renata
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