4.4.06

Ainda o Eclipse

"Um poeta é um cara que vê um raio cair numa noite de inverno: ele pega um lápis e um papel e desenha o que viu: um ziguezague cheio de ramificações. É o raio. As pessoas olham aquilo que ele fez e dizem: 'Que bonito!', e o poeta balança a cabeça e diz, 'Que bonito que nada, o que eu vi era muito mais bonito do que isso.'"
(Braulio Tavares, Os Martelos de Trupizupe, Edições Engenho de Arte, Natal, 2004)
Relatar algo como um eclipse deve ser como escrever um poema. Por melhor que seja a narrativa, por mais belas que sejam as fotos, é apenas uma impressão do que foi visto. Eu não estava pensando em escrever mais outro artigo sobre o eclipse (este é o terceiro seguido) mas tenho novidades que valem a pena compartilhar.

Vídeo do eclipse

Depois que eu publiquei o post anterior recebi a informação de que Lucas Medeiros, que estava no nosso grupo que viajou para Tabatinga, havia gravado vídeos do eclipse. Eu editei as cenas e fiz um vídeo mas o arquivo ainda ficou grande. Quando eu tiver um pouco mais de tempo tentarei reduzir seu tamanho. Está em formato WMV (Windows Media), tem 25,8 MB e resolução de 640x480. Baixe-o a partir do link abaixo:
Quem assisti-lo conseguirá ter uma noção melhor do que foi o dia virar noite ao amanhecer. Não são apenas imagens, mas também os sons das pessoas, do vento e das ondas. O vídeo está mais escuro que as fotos. Se puder fazer ajustes na exibição, aumente o brilho em 20% e o contraste em 40% para ver a praia, as nuvens e outros detalhes nos momentos mais escuros.

Para quem não quiser baixar o vídeo, eu capturei 10 imagens dele que podem ser vistas a partir das miniaturas ao lado. As fotos ocorrem num período de aproximadamente dois minutos e não estão igualmente espaçadas. A escuridão da fase total durou um minuto e meio. As fotos que mostram o céu escurecendo ou clareando aconteceram com poucos segundos de intervalo.

Uma das coisas que mais me chamou a atenção na hora da totalidade foi o comportamento dos animais (isto não aparece no vídeo.) Quando o dia escureceu, vários (acho que uns 40 ou 50) passarinhos que sobrevoavam a praia pousaram ao mesmo tempo na areia e ficaram andando na praia, bem perto das ondas, molhando os pés. Andavam todos juntos, fugindo das ondas. Pareciam confusos. Era algo incomum e chamou a atenção de todos. Uma menina correu na direção deles e os espantou, mas eles não voaram alto. Pousaram novamente mais adiante em outra parte da praia, e ficaram brincando de fugir das ondas. Depois que clareou eu os procurei novamente, mas eles já tinham ido embora.

Fotos de satélite

Através da lista do CASP (Clube de Astronomia de São Paulo), recebi de Valmir de Morais o link para uma animação criada a partir de fotos do satélite Meteosat-8 que mostra a sombra da Lua passando sobre a Terra. A animação foi produzida por Rick Kohrs, da universidade de Wisconsin-Madison. Não é um vídeo. É uma animação interativa. Pode-se controlar a velocidade em que as imagens são exibidas.

Há duas versões. Uma em baixa resolução e outra em alta resolução. A maior demora mais para carregar mais vale a pena. São animações em Java, portanto seu navegador deve suportar e permitir a execução de programas em Java.

A foto abaixo mostra um trecho da animação revelando a sombra da Lua sobre parte do Brasil ao amanhecer do dia 29 de março.



Outro eclipse ainda este ano

Finalmente, para os que perderam este eclipse, e para os que decidiram tornar-se caçadores de eclipses, antes de 2023 haverá um eclipse anular visível do Brasil. Será em 22 de setembro deste ano. Não irá escurecer a Terra como o de quarta-feira passada, mas será um espetáculo bastante interessante.


Simulação do eclipse sobre o rio Oiapoque, no Amapá.

O fenômeno será visível em quase todo o país na sua fase parcial. O melhor lugar para vê-lo no Brasil será no município de Oiapoque, no Amapá, que fica próximo da linha central. Acontecerá pela manhã, cerca de duas horas após o amanhecer. As fases parciais dos eclipses anulares são mais bonitas, pois a crescente do Sol encoberto é maior. A imagem ao lado ilustra como o eclipse seria visto da cidade de Oiapoque.

2 comentários:

Helder da Rocha disse...

Vale a pena ver estas fotos. Não mostram o Sol, mas mostram mais. Nesta foto parece que o Sol usou a nuvem como um prisma. E esta outra tem a beleza sinistra daquele céu medonho que aparece nos pesadelos.

Eduardo Semerjian disse...

Olá Helder... depois de estrear as duas peças tive, finalmente, tempo de poder ler seu post, e ver o vídeo... eu já fiquei morrendo de inveja de estar naquela praia... e isso ainda me trouxe uma lembrança de criança, de quando em meio ao "recreio" em 73 ou 74, paramos nosso jogo de futebol pra ver um negócio estranho: o sol tinha virado um anel e foi se modificando ao longo dos minutos que se passaram... era um parcial... que nunca deixou minha memória! Tenho fascinação por estes fenômenos astronômicos. Aproveito pra te convidar pra ver minhas peças, dê uma olhada no meu orkut, lá tem as informações todas...
Abração. Edu