25.10.04

A Pessoa é para o que Nasce

Conceição, Regina e Maria Barbosa em apresentação no Percpan. Foto de divulgação do filme - http://www.borntobeblind.com
Conceição, Regina e Maria Barbosa em apresentação no Percpan com Gilberto Gil. Foto:http://www.borntobeblind.com

Lembro-me delas desde criança. Estavam sempre as três, ao lado da Livraria Pedrosa, no centro da cidade, juntas, cantando emboladas e balançando seus instrumentos de percussão em troca das esmolas dos passantes. Quem vive ou viveu em Campina Grande (PB) nas décadas de 80 ou 90 (ou mesmo antes) com certeza há de lembrar-se das três irmãs cegas que são tema do documentário A Pessoa é para o que Nasce, do carioca Roberto Berliner, em cartaz na 28ª. Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. O filme não apenas retrata a história, a arte e o cotidiano dessas três mulheres corajosas, mas o efeito que o cinema teve em suas vidas.

Roberto conheceu as irmãs Maria, Regina e Conceição Barbosa em 1997, quando viajou a Campina Grande para produzir um episódio de uma série de TV sobre artistas anônimos. O programa o motivou a produzir, em 1998, um curta-metragem sobre as três. O curta foi premiado no Brasil e no exterior e contribuiu para transformar as três mulheres em celebridades. A partir daí foram convidadas por Gilberto Gil e Naná Vasconcelos para se apresentarem no Percpan - encontro internacional de percussionistas realizado em São Paulo e Salvador. Roberto acompanhou as irmãs Barbosa durante toda a turnê. O cachê recebido permitiu que elas melhorassem de vida e se mudassem para uma nova casa. Porém, na minha última visita a Campina Grande, há pouco tempo, encontrei as duas irmãs mais novas pedindo esmolas no mesmo lugar.

Conceição e Regina Barbosa, em setembro/2004
Conceição e Regina Barbosa, em setembro/2004

O filme retrata o cotidiano das personagens documentadas em várias fases de sua vida, revelando suas estratégias de sobrevivência, suas histórias de amor e de tragédia, a fama momentânea causada pelo encontro com o cinema e a convivência de vários anos (desde 1997) com o diretor, que acabou tornando-se, também, personagem da sua própria obra. É estimulante ouvir as histórias da valente Maria, duas vezes casada e duas vezes viúva, mãe de Dalvinha e responsável pelas irmãs mais novas. É um filme corajoso, que vence o preconceito de olhar para estas pessoas que não podem olhar de volta. Longe de violar-lhes a privacidade, nos aproxima de seres humanos vitoriosos, cujas deficiências não são impedimentos para sua felicidade.

Postal de divulgação do filme A Pessoa é para o que NasceA Pessoa é para o que Nasce
(Brasil, 2003)

Diretor: Roberto Berliner
Roteiro: Maurício Lissovsky
Fotografia: Jacques Cheuiche
Produção: TV Zero, Rio de Janeiro


Site: http://www.borntobeblind.com. O site permite download de fotos, do curta-metragem e de arquivos MP3 com gravações de músicas cantadas pelas irmãs Barbosa.


Apresentações na 28a. Mostra de São Paulo: dia 22, às 18h no Espaço Unibanco 1; dia 27, às 14h, na Sala UOL; dia 31, às 22:15, no Cineclube DirecTV 3.

3 comentários:

Anônimo disse...

Poucas%20vezes%20encontro%20blogs%20que%20contenham%20informa%E7%F5es%20interessantes%2C%20a%20maioria%20s%F3%20tem%20bobagens.%20%20Na%20verdade%20estou%20estudando%20Dante%20%28do%20qual%20sou%20f%E3%29%20e%20achei%20o%20site%20muito%20tri.%0D%0AParab%E9ns%20pelo%20trabalho%20e%20obrigada%20por%20estar%20colaborando%20com%20nossa%20aula.%0D%0AAtenciosamente%0D%0AMarta.%20%0D%0APOA/RS
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Anônimo disse...

edna coimbra fala, parabéns pelo bonito trabalho, amei e achei simples...

Sidinei disse...

Assisti ao documentário e achei fantástico. A história destas mulheres brasileiras, nordestinas e fortes retrata a riqueza cultural de pessoas do povo que na maioria das vezes passam despercebidas. Eu gostaria de saber o que aconteceu com essas mulheres? O que foi feito por elas?