6.9.04

O que não tenho a dizer

Tenho um problema com blogs deste tipo, sem tema, muito crus, que expõem algo do autor neste momento, ou que deveriam expor, já que esta é a proposta. Ainda não imagino o interesse que alguém teria no que escrevo aqui. Não creio que meus textos não revisados sejam interessantes para se ler. Muitas idéias se misturam. Opiniões imaturas revelam-se no meio de idéias interessantes, porém incompletas, indecisas, indefinidas.

Talvez os futuros textos fiquem mais interessantes, se eu mantiver o hábito, se eu me expuser mais. Eu não sei se vale a pena. Temo que isto vire uma auto-terapia pública, com textos que eu deveria estar escrevendo só para mim, desinteressantes para o restante dos mortais. O pior será se os leitores apenas deixarem seus comentários, por cortesia ou por outros motivos que eu não sei, sem terem lido, ou depois de lerem apressadamente, superficialmente um texto enfadonho. E assim este blog tornar-se-á um mero ponto de encontro, onde o texto escrito é apenas pretexto para uma visita virtual, e a obtenção do comentário (sincero ou falso) passa a ser um alimento de inspiração para continuar a escrever.

Por enquanto, está tudo igual. Escrevo como se escrevesse sozinho, enganando apenas a mim. Não sei quando vai sair algo de bom; algo que valha a pena àqueles que não sou.

2 comentários:

Anônimo disse...

Mas a idéia de um blog é exatamente essa: a de uma auto terapia pública... é uma coisa meio Revista Caras mesmo!!! De vc abrir a sua casa pra um fotógrafo e pros outros contemplarem... pra vc falar se está namorando fulano ou ciclano ou o que fez no sábado á noite....
Será que dá pra fugir disso, caro Helder??? Mesmo que as máscaras surjam, elas acabam mesmo é por revelar mais da pessoa do que ela pensa... máscara é a própria nudez...
Tempos foram aqueles do diarinho com uma chave escondidinha... mas os tempos são outros (descobri a pólvora, oh!!!)....será que a idéia não é a de "já que tem que ser assim que seja", mas regado a muito whisky??? ( porque sem um trago, não dá mesmo...já diria Chico Buarque)
Talvez não interesse mesmo pra ninguem...talvez as pessoas façam comentários só por gentileza e talvez vc revele coisas imaturas e bobas que te deixem perplexo....
Assuma os riscos, caro Helder...assuma os riscos das revelações, do narcisismo, do vazio, da insegurança, do medo e da sensação de que nada de que se escreve é bom (isso por acaso é um concurso de literatura???? caro Helder, o que vc escreve não é bom??? Vc está escrevendo sobre vc... será que vc não é interessante o bastante??? cara dúvida humana de todos nós)
Relaxe e divirta-se!!!!
Pois eu já estou me divertindo e muito....
{{Andrea;;andreapaula_andreapaula@yahoo.com.br}}

Helder da Rocha disse...

"A máscara é a própria nudez..." Eu gostei da frase. É como a máscara do clown, que põe o nariz para revelar sua alma de criança. Ou as máscaras do teatro Nô, que revelam mais que escondem. Tem um livro escrito por Yukio Mishima, o grande escritor japonês que se suicidou ritualisticamente em 1970. Chamava-se Confissões de uma Máscara e foi escrito no final dos anos 50. No livro, a máscara é o próprio Mishima, que expõe-se revelando não só sua homossexualidade, como outros desejos "desagradáveis" que incomodaram (e ainda incomodam) a sociedade japonesa. Obrigado pelo incentivo. As máscaras continuarão a contar suas histórias.