19.9.04

Confissões de uma Máscara - Yukio Mishima

Eu acabei de ler Confissões de uma Máscara, romance auto-biográfico de Yukio Mishima, polêmico escritor japonês autor de dezenas de romances, poesias, peças e ensaios políticos e filosóficos.

Yukio MishimaYukio Mishima nasceu em Tóquio em 1925, filho de um oficial do governo. Seu nome verdadeiro é Hiraoka Kimitake. Considerado o mais importante escritor japonês do século XX, Mishima escreveu dezenas de romances, poesias, peças e ensaios políticos e filosóficos. Foi indicado três vezes ao prêmio Nobel de Literatura. Entre suas obras primas estão O Templo do Pavilhão Dourado (1956) e O Mar da Fertilidade (1965). Explorou tanto temas da cultura oriental como ocidental como na peça Madame de Sade em que procura ver o Marques de Sade através de olhos femininos.

Sua primeira obra de destaque foi Confissões de uma Máscara (1949) que explora a descoberta de sua homossexualidade. Escrito na primeira pessoa, conta a história da infância, adolescência e juventude de Kochan - máscara do próprio Mishima. As datas, fatos históricos, e outros dados biográficos da personagem são os mesmos de Mishima. Com um estilo quase poético a história explora o universo de pensamentos, sentimentos e visões do mundo de um jovem que descobre sua homossexualidade, descrevendo seus conflitos internos, suas tentativas de adequação na sociedade e dificuldades de conciliar o amor com desejo sexual. O livro narra um período da vida do autor que começa no seu nascimento (ele diz lembrar-se do momento em que nasceu), passando pelo período da Segunda Guerra Mundial, as bombas atômicas, até o momento em que o livro foi escrito, em 1949.

Yukio Mishima era uma personagem controversa. Tinha um lado extremamente nacionalista e nutria grande interesse pelo Japão imperial e o passado dos guerreiros samurais (apesar de viver e usufruir dos benefícios do mundo ocidental). Em 1968 ele fundou um exército privado de extrema direita com ideais fascistas: o Tatenokai (Sociedade do Escudo) com aproximadamente 100 jovens, que tinha como objetivo ressuscitar o Bushido - código de honra samurai - e proteger o imperador. No dia 25 de novembro de 1970, ele entregou aos seus editores as páginas finais de sua obra-prima O Mar da Fertilidade, uma tetralogia iniciada em 1965. Depois, invadiu com o seu exército o quartel general em Tóquio onde fez um discurso tentando convencer os militares a aderirem à sua causa. Sua tentativa de golpe fracassou. Terminado o seu discurso e vendo-se ignorado pelos militares, Mishima cometeu seppuku (suicídio ritualístico), rasgando seu ventre com sua espada diante de seus soldados.

Um filme sobre a sua vida foi produzido em 1985 por Paul Schrader, com Ken Ogata como Yukio Mishima e trilha sonora de Philip Glass.


7 comentários:

Anônimo disse...

acho fantástico a relação do homossexual e a questão da transgressão da moral e da morte - é que fazem de mishima, genet - fazerem obras tão reflexivas , mas que contém um gozo perverso. Ando trabalhando essas questões numa seminário, qui na fazenda freudiana de goiânia, tecendo essas relações , baseadas nos textos de freud e lacan sobre esse tema. Gostei dos comentários que voce faz sobre a obra de mishima.
{{beatriz valle;;biaavalle@hotmail.com}}

Anônimo disse...

escolhi este post para comentar porque gosto de prosa autobiográfica e esta em particular sempre me pareceu uma das mais corajosas. mishima continua sendo, apesar da obra e de tudo que se falou/escreveu sobre ele, um mistério não de todo desvelado.

e obrigada pela visita ao meu blog, e pelo comentário preciso no post do herói...
{{Marpessa de Castro;casadosespelhos.blogspot.com;marpessa@gmail.com}}

Anônimo disse...

Li a pouco Sol e aço,definitivamente mudou a minha percepção da beleza,do corpo,e da existência

Anônimo disse...

Yukio Mishima é autor de meu livro preferido que pertence à Tetralogia Mar da Fertilidade: Neve de Primavera. Depois de ler esse livro, com 15 anos, descobri o prazer de ler.

André Procópio disse...

Atualmente estou lendo "O marinheiro que perdeu as graças do mar" de Mishima. Vez ou outra o pesquiso, e é um personagem único, muito interessante. Sua escrita também é forte.

Também quero elogiar, pois o post ficou muito bom!

Anônimo disse...

fiquei muito entereçada em ler este,gostei muito sobre os seus comentarios, ultimamente so leio livros de mishima, se você gostou deste e não leu "cores proibidas" deveria dar uma olhada,fica a dica, se trata de um homossexual tbm, mas conta como ele se esconde da sociedade e acaba sendo manipulado por um velho escritor com roncor das mulheres por ter sofrido,fazendo com q ele finja costar das mulheres para se vingar o velho....

Anônimo disse...

Li o artigo e os comentários. Estou fascinada com a literatura japonesa, pouco conhecida no Brasil. O livro de Mishima Confissões de uma Máscara tem me instigado a escrever e pensar as questões do tecido psíquico que gerou uma obra tão intensa e delicada. Apesar da questão da homossexualidade ser bastante focada e ter representado um enorme problema na vida do autor, penso que há questões a serem abordadas das relações afetivas e de também do Ser que me colocam problemas cruciais. Eu não tinha lido nada que atingisse profundidades tão abissais no Ser Humano
Cristina Bueno. psicanalista (email
krisalida@uol.com.br)