19.5.10

Música tema do curta "Mudanças"

Eu compus a trilha sonora do curta-metragem "Mudanças", de Fábio Menezes (http://curtamudancas.blogspot.com). O vídeo abaixo foi gravado no último domingo no estúdio durante a gravação de uma das músicas.

22.3.10

Cine Belvedere, sábados e domingos até junho



Christoph Lichtmann nunca dorme. Christoph Lichtmann nunca sonha. Na interminável madrugada, alimenta sua imaginação lendo os sonhos de sua família. Christoph Lichtmann inventa filmes. Na passagem do tempo que ele não sente, apropria-se dos sonhos que não são seus e sonha pelos sonhos dos outros para encontrar a si mesmo, ou descobrir que ele é apenas um sonho de outro.

Cine Belvedere não é apenas uma peça de teatro. É uma história que está sendo escrita, um filme que está sendo gravado, o sonho recorrente que volta todas as noites à mesma casa vazia. São as lembranças imaginadas de uma noite que nunca terminou. São todas as luzes que um dia se apagaram mas permanecem acesas na memória e no sonho. Cine Belvedere é um lugar no espaço e no tempo. Sempre foi e sempre será a noite 31 de dezembro de 1955.

Você pode visitar os Lichtmann no Casarão do Belvedere e participar dessa experiência todo sábado, às 21h, ou domingo, às 19h, até o dia 27 de junho. O Casarão do Belvedere é um casarão tombado pelo patrimônio histórico municipal, situado na rua Pedroso 267, bairro da Bela Vista. O público presente acompanha a história e sonhos da família pelos cômodos da casa, pelo quintal, pelos jardins, e compartilha com eles uma parte da história real e imaginária do casarão, dos atores, dos personagens.

A peça Cine Belvedere é resultado de uma criação colaborativa da Cia. Bruta de Arte a partir de um ano e meio de pesquisas sobre o universo dos sonhos. O processo foi coordenado por Roberto Audio (Teatro da Vertigem), que dirige o espetáculo. A construção da história teve grande inspiração no casarão onde a peça acontece, e em experiências reais da vida dos atores. O resultado é um história que se passa num universo imaginário, mas que, como num sonho, preserva fragmentos de realidade que estimulam a busca por um sentido para todas as coisas.


(Helder da Rocha, Todas as noites, de Cine Belvedere, 3:22)

A Cia. Bruta de Arte é um grupo criado em janeiro de 2008 por 14 atores que formaram o Núcleo Experimental dos Satyros de 2005 a 2007. Pelo Núcleo dos Satyros o grupo encenou os espetáculos Ensaio Sobre Nelson (dirigido por Nora Toledo e Jarbas Capusso Filho), Rua Taylor, 214 (direção de Alberto Guzik), Vestir o Corpo de Espinhos (direção de Alberto Guzik), Montagem Regressiva e El Truco (ambas dirigidas por Roberto Audio). A peça Vestir o Corpo de Espinhos foi selecionada para representar o Brasil em 2006 no festival internacional de teatro Play-Off/06, nas cidades alemãs de Essen, Herne, Dortmund e Gelsenkirchen, junto com grupos de outros 15 países.

O Casarão do Belvedere foi projetado pelo arquiteto Raphael Lanzara e construído em 1927. Com 430 m², distribuídos entre 11 cômodos, foi habitado por quatro gerações de descendentes de seus construtores, a família de Ernest Sohn (imigrante francês). Em dezembro de 2002 o imóvel foi tombado pelo CONPRESP da cidade de São Paulo e em janeiro de 2003, Paulo Goya, ator e atualmente o Presidente da OSCIP Espaço Cultural Dona Julieta Sohn transformou o imóvel em espaço cultural onde já foram montadas cerca de 30 espetáculos, iniciando com Assombrações do Recife Velho, da Cia Os Fofos Encenam.

CINE BELVEDERE - FICHA TÉCNICA
Direção: Roberto Audio
Assistente de direção: Washington Calegari
Texto e dramaturgia: Cia. Bruta de Arte
Iluminação: Guilherme Bonfanti
Assistente de Iluminação: Grissel Piguillem
Figurinos: Keila Akemi e Angela Ribeiro
Assistente de figurinos: Andréia Peixinho
Programação visual: Cleber Rodrigo
Direção de Arte e elementos cenográficos: Paulo Vereda
Máscaras: José Toro Moreno
Máscara de Peixe Abissal: Helder da Rocha
Assistente de cena e contra regra: Dagoberto Macedo
Trilha sonora: Cia Bruta de Arte
Trilha sonora original: Helder da Rocha
Assistente de produção: Denise Janoski
Produção: Cia Bruta de Arte
Co-Produção: Casarão do Belvedere

PERSONAGENS E ATORES
Paulo Maeda, como Christoph Lichtmann
Thammy Alonso, como Franka Lichtmann
Maria Campanelli Haas, como Annete Lichtmann
Angela Ribeiro, como Eva Lichtmann
Ana Lúcia Felipe, como Helga Lichtmann
Fabiana Souza, como Bettina Lichtmann
Helder da Rocha, como Rudolph Moriak
Marba Goicochea, como Pacha
Teka Romualdo, como Talulah Tetembua
Wagner Mendonça, como Mohammed Madi
Thiago Franco Balieiro, como Otto Heiser
Ana Pereira, como Amelie Rousseau
Wanderley Salgado, como Thomas Gross
Ricardo Socalschi, como Nikola Baumgartner

AGRADECIMENTOS
Alessandra Souza, Ana Maria Winter, Bernardo Marquez Bjari, Dagoberto Macedo, Edna Elizabeth, Fabiana Prado (Fafi), Geandre Tomazoni, Igor Blinstrub, Marçal Costa, Nora Toledo, Peterson Ramos, Regina Ciampi, Ruth Castro, Leopoldo Castro e Teatro da Vertigem.

LINKS
Fotos e vídeos na Página da Cia. Bruta de Arte no Facebook
Twitter da Cia. Bruta de Arte
Vídeo com cenas do espetáculo por Gabriel Madeira
Site da Cia. Bruta de Arte (em construção)

Reservas, compras de ingresso e informações adicionais através do Casarão do Belvedere, Rua Pedroso, 267, Bela Vista, São Paulo. (11) 3266-5272.

Assessoria de Imprensa:
Sylvio Novelli - Assessoria em Comunicação
Com Sylvio Novelli e Fausto Cabral
11 3806-1636
sylvio@sylvionovelli.net (cel: 11 9231-3211)
fausto@sylvionovelli.net (cel: 11 9855-8144)

25.2.10

A descoberta de Bikini: estratégias e instruções de sobrevivência



Lugar imprevisível, às vezes explosivo. É sabido que ilhas vulcânicas podem sumir misteriosamente causando grandes tremores e tsunamis. É melhor aproximar-se no fim da tarde ou início da noite, quando a brisa é mais fria e as águas estão mais calmas. Não desembarque de imediato. Tenha paciência. Observe a paisagem. Os montes. A selva escura. Admire-a intensamente. Procure uma praia tranqüila. Deixe as ondas lamberem as costas por uns minutos. Sinta o cheiro.

Nunca vá direto ao ponto. Nunca! É morte certa. É imprescindível familiarizar-se com o território, tornar-se parte dele. Quando estiver pronto, escale os montes até encontrar o ponto de apoio. Se não resistir, morda. Se a terra tremer não solte. Use as mãos, os dentes. Não solte! Busque os outros pontos, no norte, no sul. Só assim, a ocupação terá sucesso. Deste ponto em diante, não há mais como desistir.

Em certo momento, ela vai parecer dócil, inofensiva, completamente vulnerável. Não baixe a guarda. Foi numa tarde calma, nos anos 50, que Bikini explodiu em fúria radiativa. Portanto, ao deslizar para a selva, não esqueça de manter uma presença estratégica lá no alto.

É objetivo desta expedição descobrir o que ocorre depois. Não se sabe se reações nucleares causam singularidades. Dizem os cientistas que, quando se atravessa um buraco negro, o tempo pára e o espaço se contrai. Eu estava no meio do caminho quando penetrei na selva escura e fui surpreendido por um tremor pulsante. Desci escorregando pelas bordas em círculos e fui lançado ao ponto de onde sequer a luz consegue escapar. A última coisa que lembro foi ter segurado uma coisa rígida com os dentes.

21.2.10

Cine Belvedere



Video produzido a partir de cenas da peça "Cine Belvedere", da Cia. Bruta de Arte, por Gabriel Madeira. A peça estará em cartaz novamente aos sábados e domingos no Casarão do Belvedere, na Bela Vista.

3.11.09

A Criação 1: o vento


(Desenho de Suzelle Yanguissa)


(The Creation 1: the wind, by Helder da Rocha)

6.10.09

Eu descuidei dos mares


O Homem-peixe

Houve um dia em que aventurei-me para dentro do mar. Fui completamente envolvido. Me vi inteiro, como a terra. E me vi refletido, como o céu, como o vento. Minhas costas eram arranhadas por suas ondas salgadas, desejadas. Fiz tremores, formei correntezas, aqueci as águas, e com o fogo da terra derreti o gelo, afastando as neves que sempre limitaram suas encostas pelo norte. Apaixonei-me pelo mar. Inspirado inicialmente nas estrelas que refletiam na superfície, deixei-me penetrar nas suas profundezas, seduzido pelo perfume de suas correntes.

Mas um dia eu descuidei das correntes. Não sei por que. Mustapha talvez tenha cansado de sonhar com os ventos incertos, e não percebeu que as correntes adversas estavam fracas. Zéfiro poderia torná-las favoráveis com uma ação firme, irreversível, surpreendente. Uma tempestade, como a primeira, porém mais calculada. Fogo. Haveria estragos. Era inevitável, mas depois que os ventos se acalmassem, todos encontraríamos os melhores caminhos.

Mas não aconteceu. Não sei quando, nem por que, adormeci. A correnteza fraca passou por perto e não senti a brisa fria. Estas minhas palavras poderiam ter feito a diferença. Elas, que sempre desestabilizaram com incêndios e ondas quentes, estavam caladas desde o último sonho de Mustapha. Tornei-me invisível numa calmaria e não dei atenção à volta forte das tais correntes adversas. Foi um vacilo. Quando acordei não ouvi mais ondas. A realidade havia se solidificado. O gelo tomou conta. Ela não gritou mais pelo fogo. A neve já cobria tudo.

E agora, este ar seco que tento respirar desesperadamente, me fere e me sangra, talvez porque ainda me veja como o homem-peixe, que ainda tem um coração incandescente, e que não consegue viver longe do mar.


(O Homem-Peixe, by Helder da Rocha)

24.8.09

Um peixe das profundezas oceânicas



É uma máscara. Veja o processo inteiro aqui.

O peixe está em cena da peça Cine Belvedere, da Cia Bruta de Arte, em cartaz em São Paulo, nos sábados e domingos.

1.5.09

Última Homenagem


Foto: UFCG (07 de março de 2009)

Meu pai, falecido na semana passada, foi escolhido como paraninfo geral das turmas concluíntes da Universidade Federal de Campina Grande, ha pouco menos de dois meses. Abaixo está o discurso de apresentação pelo seu colega e professor Mário Araújo Filho.
APRESENTAÇÃO DO PROFESSOR CRESO SANTOS DA ROCHA, PARANINFO GERAL DAS TURMAS CONCLUINTES 2008.2 DA UFCG, FEITA PELO PROFESSOR MÁRIO DE SOUSA ARAÚJO FILHO, NA SOLENIDADE DE COLAÇÃO DE GRAU, EM 07/03/2009, NO AUDITÓRIO DO GARDEN HOTEL, EM CAMPINA GRANDE, PB.

"Magnífico Reitor Thompson Fernandes Mariz, Senhor Diretor do CEEI, professor Wellington Santos Motta, em cujo nome saúdo os demais componentes da Mesa e demais autoridades aqui presentes, Colegas Conselheiros da UFCG, Prezados formandos e suas famílias, Demais presentes a esta solenidade.

Feliz da instituição que sabe reconhecer o mérito dos que a constroem.

Promissor é o futuro das organizações que não olvidam seu passado.

Não nascemos hoje, e o que agora somos se deve ao contributo de todos e de cada um ao longo do tempo.

Nunca é demais reafirmar permanentemente que temos memória, temos história, e que foi longa e difícil a trajetória percorrida até chegarmos aqui.

E é isso, sem dúvida, o que faz a UFCG, ao destacar, em particular nos momentos áureos das colações de grau, aqueles que a construíram, desde quando se inaugurou o ensino superior em Campina Grande.

Minhas Senhoras, Meus Senhores.

Recebi a incumbência de fazer a apresentação do homenageado de hoje, de quem fui aluno, o Paraninfo-Geral das Turmas Concluintes do Período 2008.2, o Professor-Doutor Creso Santos da Rocha.

Nascido no Recife, é praticamente cidadão campinense, pois passou a residir de forma definitiva em Campina Grande.

Aqui realizou boa parte da sua formação, sempre em escola pública, passando pelos bancos do Colégio Estadual da Prata.

Em 1964, ingressou na Escola Politécnica, a saudosa POLI, para fazer o Curso de Engenharia Elétrica, cuja primeira turma é de 1963.

Suas atividades de estudante universitário, desenvolveu-as paralelamente ao trabalho como bancário, que exerceu no Banco Industrial de Campina Grande e, posteriormente, no Banco do Brasil.

Graduado em Engenharia Elétrica pela UFPB em 1968, especializou-se em Métodos e Técnicas de Ensino pela Universidade de Brasília em 1969 e, em 1970, foi contratado como Professor Auxiliar de Ensino, lotado no Departamento de Engenharia Elétrica (DEE) da UFPB.

Ascendeu a Professor Adjunto (RETIDE) em 1974, e permaneceu nesse nível até 1996, quando, por concurso público, chegou a Professor Titular.

Ainda em 1970, com dois anos de graduado, Creso foi chamado a atuar como Diretor Técnico da TELINGRA – Telecomunicações de Campina Grande S.A., atividade exercida por dois anos.

Em 1972, obteve o grau de Mestre em Engenharia Elétrica pelo CCT da Universidade Federal da Paraíba.

Entre 1975 e 1980, ele esteve fora do País para capacitação, cursando o Doutorado na Universidade de Waterloo, em Ontário, no Canadá.

Ao longo da sua carreira acadêmica, o professor Creso Santos da Rocha teve forte atuação no Ensino e na Pesquisa, na Graduação e na Pós-Graduação, e também no campo da Extensão.

Na Graduação, lecionou as disciplinas Matemática IX (Funções de Variáveis Complexas), Sistemas Lineares, Princípios de Controle e Servomecanismos, Eletromagnetismo, Ondas Eletromagnéticas, Cálculo Numérico, e foi orientador de Estágios.

Em cursos de extensão, deu aulas sobre Linhas de Transmissão, Antenas e Propagação, Métodos Numéricos, FORTRAN e Operacionalização de Microcomputadores.

Na Pós-Graduação, ministrou Teoria Eletromagnética, Métodos Numéricos, Tópicos Avançados em Métodos Numéricos e Cálculo de Campo.

O professor Creso Santos da Rocha também ocupou postos de gestão acadêmica. Foi Chefe do Laboratório de Computação Analógica (1970-1975), Coordenador e Vice-Coordenador dos Cursos de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da UFPB (década de 80), e Coordenador do Programa Waterloo-Brasil da agência de cooperação canadense CIDA, secção Engenharia Elétrica, de 1983 a 1987.

No campo da pesquisa, desenvolveu intensa atividade acadêmica, publicou trabalhos e orientou dissertações de mestrado e teses de doutorado, contribuindo para a qualificação de profissionais que hoje desenvolvem atividades docentes em Engenharia Elétrica, na Paraíba e em outros Estados.

O professor Creso teve inúmeras participações em congressos e eventos científicos, para apresentação de artigos, com a co-autoria de alunos e colegas, todos voltados para a área na qual concentrou seus esforços de pesquisa - a área de Microondas e Eletromagnetismo Aplicados.

Contribuiu ainda para o desenvolvimento e divulgação das atividades do seu campo de interesse, coordenando simpósios e atuando como revisor de trabalhos científicos.

Depois de aposentado em 1996, o professor Creso atuou por um ano (março de 97 a março de 98) como Professor Visitante do DEE do CCT/UFPB.

Aposentado – mas não “inativo” – e buscando ampliar os horizontes da sua formação, o incansável professor Creso tornou-se aluno do Curso de Comunicação Social da UEPB, tendo se bacharelado (Habilitação em Jornalismo) no ano de 2002.

Prezados Concluintes,

É este, em rápidas pinceladas, o vosso Paraninfo: um professor dedicado, um pesquisador qualificado e reconhecido, mas – acima de todos os títulos – um homem simples, um cidadão comum. Um educador e um cientista, situado entre os mais abnegados construtores da nossa Universidade.

Por tudo isso, é plena de justiça a homenagem ora feita nesta Colação de Grau do Período 2008.2 da Universidade Federal de Campina Grande.

Era o que tinha a dizer.

Muito obrigado!"

Campina Grande, 7 de março de 2009

Mário de Sousa Araújo Filho
Professor Adjunto IV – DEE/CEEI/UFCG


(Mário de Sousa Araújo Filho foi também o meu professor quando cursei Engenharia Elétrica na UFCG, na disciplina de Eletromagnetismo)

Depois vou postar o discurso.

26.4.09

Agora em silêncio



Creso Santos da Rocha
Nascido em 5 de setembro de 1939
Falecido em 25 de abril de 2009

30.3.09

Petronila Barros de Lima


26 de agosto de 1911 - 29 de março e 2009
(a foto é de 1930)

10.7.08

Ares e Chronos debaixo da Esfinge

Eu os vi por acaso. Ultimamente não tenho acompanhado o movimento das estrelas errantes, mas noites estreladas e sem nuvens sempre me fazem olhar para o alto. Foi então que num princípio de noite sem nuvens encontrei três pontinhos alinhados. Havia um planeta entre Regulus (a estrela mais brilhante da constelação de Leão) e Saturno. Era Marte, de passagem, que hoje estará bem perto de Saturno (do ponto de vista de nós, terráqueos). Eles estarão no oeste, pouco depois do por do Sol.



Se hoje as nuvens não deixarem, talvez amanhã. Não estarão tão distantes, mas a cada dia Marte irá se afastar mais. Saturno permanecerá mais tempo em Leão, pois sua órbita é lenta.


Passe o mouse sobre a imagem para ver o desenho da esfinge (o leão está sentado sobre os dois planetas). Imagem gerada pelo Starry Night Digital Download 6

(Se você acha que os pontos não parecem um leão de jeito nenhum, tente virar o desenho, ou leia este outro post.)